Moradores do bairro Fanny bloquearam o cruzamento da Avenida Santa Bernadethe com a Avenida Henry Ford durante a tarde desta quarta-feira (4), em Curitiba, em um protesto contra os constantes alagamentos na região.

Moradores do bairro Fanny bloqueiam o cruzamento das avenidas Santa Bernadethe e Henry Ford durante protesto contra alagamentos em Curitiba.
Moradores fecharam o cruzamento em protesto contra os alagamentos recorrentes no bairro Fanny. Foto: Cristiano Vaz/Banda B.

Com palavras de ordem, o grupo pedia a presença de representantes da prefeitura e de vereadores. Segundo os manifestantes, a cada chuva, casas são invadidas pela água e prejuízos se repetem há anos.

A manifestação foi acompanhada por equipes da Guarda Municipal e por policiais militares do 13º Batalhão. De acordo com as autoridades, o ato ocorreu de forma pacífica.

“O povo está cansado, pois cada chuva que vem é uma perda. Já levamos para as autoridades, pedimos que arrumassem e tomassem alguma atitude, mas nada foi feito. Chove e o córrego transborda. Estamos cansados. Toda chuva é alagamento, estrago e sujeira. Esse problema acontece há mais de 15 anos. Até agora, a gente não teve nenhum parecer. Hoje, nós cansamos e resolvemos vir para as ruas”, disse Susana Veloso, representante dos moradores.

Os moradores afirmam que esperam uma resposta do poder público para evitar que novos alagamentos continuem causando prejuízos na região.

A Banda B procurou a Prefeitura de Curitiba. Confira abaixo a nota completa!

A Prefeitura de Curitiba esclarece que os alagamentos registrados na região do Parolin e Vila Fanny nesta terça-feira (03) foram ocasionados principalmente pelas fortes chuvas concentradas em um curto período de tempo, caracterizadas por elevado volume e intensidade, o que provocou a sobrecarga momentânea do sistema de drenagem da região.

Mesmo com a existência de estruturas de macrodrenagem, eventos de precipitação extrema, como o ocorrido nesta terça-feira (03), podem ultrapassar a capacidade de escoamento prevista para o sistema, resultando em alagamentos pontuais.

Devido às características, a região é mais sensível a alagamentos por estar localizado em uma área de baixada, próxima aos leitos de rios, como o Rio Pinheirinho, o que o torna naturalmente mais vulnerável a inundações. Para prevenir os prejuízos está em andamento a obra de macrodrenagem para o Controle de Cheias do Rio Pinheirinho, uma grande estrutura de contenção de cheias que vai ajudar a evitar alagamentos em vários bairros. Quando concluída, beneficiará a população dos bairros Parolin, Lindóia, Fanny, Guaíra e Hauer. A obra inclui canalização de cursos d’água, construção de estações de bombeamento e modernização do sistema de drenagem e está em fase de conclusão.

Os trabalhos em execução possuem elevada complexidade técnica e operacional, uma vez que envolvem intervenções em área urbana densamente ocupada e exigem cuidados permanentes para manter o funcionamento do sistema durante as obras.

São 8 km de intervenção, e o mecanismo completo servirá para retardar o fluxo da água dos córregos e rios Santa Bernadethe, Henry Ford e Curtume, além dos rios Vila Guaíra e Pinheirinho, que desaguam no Rio Belém, reduzindo seu potencial de causar inundações e estragos.

A obra já deveria ter sido concluída, no entanto, uma série de razões, entre elas o vandalismo tem impactado no cronograma da obra com nova previsão de conclusão para o segundo semestre deste ano.

A Prefeitura de Curitiba trata como prioridade a conclusão da obra que além da complexidade (envolve macrodrenagem, canalização de cursos de água e instalação de estações de bombeamento) passou por modificações no cronograma por diferentes situações que que vão desde dificuldades no repasse de verbas federais, ajustes no projeto executivos, interrupções causadas pela pandemia de COVID-19, pela necessidade de rescisão de contrato com a empresa executora e realização e nova licitação, além dos constantes casos de vandalismo nas estruturas.

Com frequência, os condutos forçados que integram a obra são incendiados ou danificados. A reposição do material, que é feito sob medida, causa atraso nos serviços. Um dos últimos episódios foi registrado em 8 de dezembro quando um incêndio criminoso destruiu cerca de 50 metros da estrutura.

O trecho atingido pertence a um conduto forçado feito em Polietileno de Alta Densidade (PEAD) reforçado com fibra de vidro (um material plástico inflamável, produzido sob medida para suportar a alta pressão da água). A substituição das peças destruídas gerou novo atraso no cronograma da obra.

Em razão da recorrência de atos de vandalismo no local, a Secretaria Municipal de Obras Públicas está executando uma proteção mecânica, um envelopamento em concreto, ao longo de cerca de 4 km do conduto, como medida preventiva.

Paralelamente ao procedimento, são continuas as ações de limpeza e desassoreamento Rio Vila Guarira e dos córregos da região. Com a ajuda de escavadeiras hidráulicas e equipes de solo, dependendo de cada trecho, são retirados materiais que assoreiam o rio, além de lixo descartado de forma incorreta pela população.

Paralelamente, a Prefeitura desenvolve o planejamento de novas ações estruturantes com foco no aumento da resiliência da região frente a eventos de fortes precipitações, incluindo estudos para implantação de bacias e reservatórios de detenção, que permitem a retenção temporária das águas pluviais e a redução dos picos de vazão.