Os moradores do bairro Lamenha Pequena, na divisa entre Curitiba e Almirante Tamandaré, fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (10) contra o fechamento de uma rotatória que dá acesso a casas de aproximadamente 250 famílias.

De acordo com os manifestantes, com a demolição do viaduto da Rua Newton Laporte e o fechamento do acesso conhecido como rotatória da Coopercargas, os moradores do bairro serão obrigados a se deslocar até a rotatória da Rodovia dos Minérios, resultando em um trajeto de aproximadamente 15 km, o que impactará diretamente na vida das famílias.
“Desde setembro que a gente começou a questionar a concessionária sobre derrubar o nosso viaduto, porque é essencial para nós; temos crianças, idosos, horário escolar também, e nada foi falado para nós. Agora chegou para nós que vai ser bloqueado o nosso acesso de saída, que vai até a Manoel Ribas. Isso é inaceitável! É muita perda de tempo. O transporte escolar não vai mais nos prestar serviço por causa do aumento do trajeto, e nós estamos correndo o risco de perder o emprego pela questão do transtorno e horário. E, ao procurar o diretor da regional, nada pode ser feito; não conseguimos reunião”
comentou Lea Souza.
Ainda segundo a moradora, um abaixo-assinado com 280 assinaturas e 30 depoimentos foi colhido, mas, até o momento, a Via Araucária não se prontificou a receber os moradores e conversar sobre o assunto.
“A gente quer uma solução para minimizar os impactos aqui, principalmente o nosso viaduto, que prometeram entre março e abril, e esse viaduto não tem nem cheiro de conclusão. É impossível ficar sem a rotatória”
disse a moradora.
Mães com crianças autistas são afetadas
Jessica Anitaki, mãe de um menino diagnosticado com autismo, conversou com a reportagem da Banda B e relatou que, devido à falta de acesso, o filho corre o risco de perder os benefícios que possui.
“O meu filho é autista, ele tem hiperlexia, ele tem dificuldade de andar, ele tem convulsões direto. Eu pago van escolar para ele ir para o colégio, não estou conseguindo levar ele para o recurso por causa do caminho (…). Ele corre o risco de perder a tutora, a cuidadora que ele tem na escola. A van escolar do meu filho não vai mais atravessar para o lado de cá por causa da distância. Como ficamos nós, pais? Atravessar a criança numa rodovia dessa com convulsão?”
relatou Jessica.

Ainda segundo a mulher, o que os moradores esperam é uma passagem digna e segura pelo local.
“A gente não quer barrar ninguém, a gente quer uma passagem digna para nós, para os nossos filhos, para os trabalhadores, para os estudantes. A gente não quer briga, a gente quer solução”
afirmou a mulher.
Transporte escolar interrompido
Segundo Adriano Esmanhoto, motorista do transporte escolar, o translado dos estudantes já enfrenta dificuldade devido à demolição do viaduto.
“A gente já está tendo dificuldade. Nós não conseguimos fazer o horário depois que eles tiraram o viaduto. A gente tem uma hora para buscar e entregar as crianças, então a gente não consegue ter o acesso”
explicou o motorista.
Ainda segundo o motorista, engenheiros chegaram a falar que não teria trânsito no local, mas a quantidade de veículos depende do horário de pico.
“O horário de pico é o horário da entrega dos alunos, do meio-dia, horário em que mais tem trânsito aqui. Eles vieram, tiraram uma foto, falaram que não tem trânsito, mas está difícil da gente atravessar aqui, não tem como. Então a gente quer saber o que eles vão fazer; se fecharem o acesso, vai ter que ir até a Manoel Ribas”
completou.
O que diz a Via Araucária
A Banda B procurou a concessionária Via Araucária para saber mais sobre o questionamento dos moradores. Em nota, a empresa afirmou que acompanhou a manifestação de moradores do bairro Lamenha Pequena e irá buscar a comunidade local para reforçar o diálogo e prestar os devidos esclarecimentos. Veja a nota na integra:
“A Via Araucária informa que acompanhou a manifestação de moradores do bairro Lamenha Pequena, em Curitiba, e irá buscar a comunidade local para reforçar o diálogo e prestar os devidos esclarecimentos.
A concessionária destaca que o tema já foi tratado em reuniões realizadas com a Prefeitura de Curitiba e seguirá sendo acompanhado em conjunto com o poder público.
Não haverá fechamento total de acessos na região, mas sim uma interdição parcial e temporária de uma das alças de retorno, necessária para o avanço das obras de implantação de um novo viaduto no km 6+900 do Contorno Norte (PR-418).
A intervenção terá início no dia 14 de abril, com duração estimada de aproximadamente 120 dias. Para os motoristas que seguem no sentido da Rodovia do Café, o retorno mais próximo poderá ser realizado no viaduto da Avenida Manoel Ribas, localizado a cerca de 1 km do ponto atual. Os acessos pela Avenida Francisco Gulin e pela Rua Soledade Regina permanecem funcionando normalmente.
A Via Araucária reforça que a intervenção é necessária para o avanço das obras de duplicação e modernização do Contorno Norte de Curitiba. No local, está prevista a implantação de um trevo em formato diamante, que proporcionará melhoria no fluxo de veículos e mais segurança para moradores e usuários.
A concessionária seguirá à disposição para prestar esclarecimentos e manter o diálogo com a comunidade durante a execução das obras”.
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