O juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, da Vara Privativa do 2° Tribunal do Júri de Curitiba, aguarda a divulgação de laudo complementar para decidir se Paulo Cezar Bezerra da Silva vai a júri popular. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), por tentativa de homicídio qualificado e injúria racial, após espancar o músico negro Odivaldo Carlos da Silva, conhecido como Neno, com um cassetete.

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Na segunda-feira (6), os envolvidos no caso foram ouvidos em audiência. Neno, por exemplo, reforçou a agressão racial antes do espancamento. Segundo ele, Paulo Cezar o chamou de “negro sujo”, além de o confundir com um morador de rua.

Já Paulo Cezar confirma a agressão, mas nega o teor racial. O segurança afirma que a agressão aconteceu em razão de uma discussão anterior ocorrida dentro de um bar do Centro de Curitiba. Ele alega que estava sob efeito de drogas e nega a intenção de matar.

Possível júri

De acordo com o advogado de Neno, Jose Carlos Portella Junior, a audiência confirmou o que foi produzido na investigação policial.

“Ele nega a intenção de matar, mas se de fato não tivesse essa intenção, não teria agido com aquela brutalidade, atingindo o Neno em áreas vitais com um instrumento extremamente potente. Isso deixou lesões muito grandes e sequelas no Neno, movida, segundo os relatos, por ódio racial”, disse.

Se confirmada a intenção de matar, Paulo Cezar seria levado a júri pela tentativa de homicídio qualificado.

Para a advogada de Paulo Cezar, Dany Mulinari, porém, o agressor parou quando percebeu que tinha machucado muito Neno, levando o caso para uma lesão corporal.

“A defesa acredita na impronúncia, com a desclassificação de tentativa de homicídio para lesão corporal. Em momento algum também ficou comprovado as agressões raciais. O Paulo Cezar, aliás, tem uma filha negra”, afirmou.

Avelar já encaminhou ao Instituto Médico Legal (IML) o pedido para a juntada do laudo complementar.

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