(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Há 100 anos, em outubro de 1917, acontecia a revolução que estabeleceria um Estado socialista na Rússia e em outros países do leste europeu – e fortaleceria a esquerda política em todo o mundo. Mas 74 anos depois, em 1991, esse Estado entrava em colapso.

Em 2017, no entanto, um dos principais intelectuais de esquerda do Reino Unido, o escritor Tariq Ali, acha que os partidos de esquerda ainda têm o que aprender com revolucionários russos como Lênin – especialmente sobre como fazer autocrítica e admitir seus erros.

“Antes de morrer, Lênin pediu desculpas à classe operária russa. E ele também disse ‘nós não sabíamos de nada’. Quando foi que um político da esquerda ou da direita disse isso de novo?”, indaga.

O escritor ainda defende posições polêmicas, como a de que o socialismo implantado por Hugo Chávez foi um sistema “extremamente democrático” em seus primeiros anos.

Ali admite, no entanto, que o autoritarismo soviético foi o legado “terrível” de 1917 para o socialismo. E afirma que a admiração ao ex-líder Josef Stálin não deveria estar presente na esquerda atual.

“Ser socialista hoje significa querer um sistema muito mais democrático do que jamais existiria no capitalismo. Com democracia em todos os níveis.”

Em São Paulo para lançar uma nova edição dos principais textos da Revolução Russa no seminário “1917 – o ano que abalou o mundo”, da editora Boitempo, o britânico faz duras críticas ao PT e diz que o partido escolheu não aproveitar o momento de crise, após o envolvimento em escândalos de corrupção, para se renovar.

“Fico com muita raiva, porque essa é a única chance que o Brasil teve por algum tempo”, afirma.

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