A menopausa ainda é cercada de dúvidas, mas os efeitos vão muito além dos conhecidos “calorões” e envolvem outros sintomas. Alterações no sono, no humor, na memória e até no risco de doenças fazem parte dessa fase natural da vida da mulher e exigem atenção para preservar a qualidade de vida.

Segundo o ginecologista Wallace George Viana e Silva, professor do curso de Medicina da Universidade Positivo, a principal causa dos sintomas é a queda dos níveis de estrogênio, hormônio que influencia diretamente o funcionamento do cérebro e de outros sistemas do organismo.
“A maior parte dos sintomas está relacionada à menor ação dos estrogênios no sistema nervoso central, como consequência da perda progressiva da função ovariana”
explica o especialista.
No Brasil, a média da última menstruação ocorre por volta dos 47 anos. No entanto, os primeiros sinais costumam aparecer antes, durante a chamada perimenopausa, fase de transição em que o corpo começa a dar os primeiros alertas.
Sintomas da menopausa vão além das ondas de calor
Embora os fogachos (ondas de calor) sejam os mais conhecidos, eles estão longe de ser os únicos sinais da menopausa.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- calorões intensos;
- insônia e sono fragmentado;
- irritabilidade, ansiedade e alterações de humor;
- ressecamento vaginal;
- queda da libido;
- ganho de peso e mudança na distribuição da gordura corporal;
- dores musculares e articulares.
De acordo com o especialista, cerca de 70% das mulheres enfrentam os calorões, que podem durar anos e variar de intensidade.
“Os fogachos e o ressecamento vaginal são os sintomas mais específicos da menopausa. Já alterações como ansiedade e insônia também são frequentes, mas podem ser confundidas com outros problemas”
afirma o ginecologista.
Ele explica que a oscilação hormonal interfere em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, o que ajuda a entender as mudanças emocionais e cognitivas.
Impacto no cérebro e no sono
A menopausa também afeta diretamente o funcionamento do cérebro. A queda do estrogênio altera o controle da temperatura corporal, provocando os calorões, e interfere nos mecanismos que regulam o humor e o sono.
“O cérebro precisa de estabilidade hormonal. Quando há muita oscilação, surgem irritabilidade, ansiedade e dificuldade para dormir”, explica o médico.
Os episódios noturnos de calor podem interromper o sono diversas vezes, prejudicando o descanso e aumentando o cansaço ao longo do dia.
Quando procurar ajuda
Um dos principais alertas é não esperar a menstruação parar completamente para buscar orientação médica.
“Não é preciso aguardar um ano sem menstruar. Ao perceber alterações no ciclo ou sintomas, a mulher já pode procurar acompanhamento”
orienta Viana e Silva.
Além de aliviar os sintomas, o acompanhamento médico é essencial para monitorar riscos que aumentam nessa fase, como doenças cardiovasculares, osteoporose e alterações metabólicas.
Tratamento e qualidade de vida para amenizar sintomas da menopausa
A boa notícia é que existem formas de aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Mudanças no estilo de vida são o primeiro passo:
- prática regular de atividade física;
- alimentação equilibrada (com destaque para a dieta mediterrânea);
- boa rotina de sono;
- controle do estresse.
Em alguns casos, a terapia hormonal pode ser indicada. “A reposição hormonal deve ser avaliada de forma individual. Quando bem indicada, pode reduzir riscos de doenças e melhorar significativamente a qualidade de vida”, destaca o especialista.
Ele reforça que nem todas as mulheres precisam ou podem fazer o tratamento, mas a decisão deve ser tomada com acompanhamento médico.
Menopausa não precisa ser sofrimento
Apesar de ser um processo natural, o especialista alerta que os sintomas não devem ser ignorados.
“Não normalizem o sofrimento só porque é uma fase natural. Hoje é possível tratar e melhorar muito o bem-estar”
afirma o médico.
Com o aumento da expectativa de vida, muitas mulheres passam décadas no período pós-menopausa, o que reforça a importância de cuidar da saúde física e emocional. “O que não faz sentido é viver mais, mas viver mal. A menopausa precisa ser encarada com informação, acompanhamento e qualidade de vida”, conclui.
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