A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa e pode começar ainda aos 40 anos ou até antes. Marcada por oscilações hormonais e irregularidade menstrual, ela costuma gerar sintomas físicos e emocionais que impactam a rotina e a qualidade de vida da mulher.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a menopausa ocorre, em média, aos 51 anos. Já a North American Menopause Society (NAMS) aponta que a transição pode começar vários anos antes da última menstruação, com duração média de quatro a oito anos.
Em entrevista à Banda B, a endocrinologista e metabologista Daniele Zaninelli explica que a perimenopausa é o período de transição em que a função ovariana diminui progressivamente.
“Nessa fase acontecem flutuações nos níveis dos hormônios sexuais femininos. A função ovariana diminui de forma progressiva, culminando com o término da vida reprodutiva. Muitas mulheres já começam a apresentar irregularidade menstrual e outros sintomas. Esse período costuma durar entre 2 e 4 anos”
explica a médica.
Ela destaca que a pré-menopausa faz parte da perimenopausa. Já a menopausa é oficialmente confirmada quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar.
Quando começa a perimenopausa?
A menopausa costuma ocorrer entre 45 e 55 anos, mas os primeiros sinais podem surgir antes. “A partir dos 40 anos alguns sinais já podem estar presentes. Quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos é dita precoce, e deve receber atenção especial. Atraso menstrual acima de três meses nessa idade merece investigação”, alerta a endocrinologista.
Estudos publicados no Journal of Women’s Health indicam que alterações no ciclo menstrual são frequentemente o primeiro sinal da transição hormonal.
Os sintomas mais comuns da perimenopausa
A menopausa não acontece de repente. A maior parte das mulheres apresenta alterações no ciclo por alguns anos antes da interrupção definitiva.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Ondas de calor (fogachos)
- Suores noturnos
- Irregularidade menstrual
- Insônia
- Irritabilidade e ansiedade
- Humor depressivo
- Cansaço
- Dificuldade de concentração e memória (névoa mental)
- Dores musculares e articulares
- Secura vaginal
“Os fogachos podem variar muito. Enquanto algumas mulheres têm poucos episódios por semana, outras podem ter 10 ou mais durante o dia e também à noite”
afirma a endocrinologista.
Segundo a NAMS, até 75% das mulheres relatam ondas de calor durante a transição menopausa.
Perimenopausa afeta a libido?
A queda do estrogênio pode interferir diretamente na vida sexual. “A secura vaginal pode causar desconforto durante a relação. Fogachos e suores noturnos também podem ser parte do problema. Além disso, depressão, ansiedade e até os medicamentos usados no tratamento podem impactar a libido”.
Ela ressalta que a questão é multifatorial, envolvendo autoestima, qualidade do relacionamento e sobrecarga emocional.
“Não há solução simples. É preciso cuidado com o foco exagerado no uso inadequado de hormônios, que podem trazer mais riscos que benefícios”
explica Zaninelli.
Ainda é possível engravidar?
Sim. Apesar da queda na fertilidade, a gravidez ainda pode ocorrer durante a perimenopausa. “Mulheres na perimenopausa merecem cuidados contraceptivos. De forma geral, os métodos podem ser suspensos aos 55 anos”, afirma a médica. “Também é seguro suspender após dois anos de instalada a menopausa em mulheres abaixo dos 50 anos, ou um ano após, se acima de 50 anos.”
No entanto, a especialista alerta que a gestação nessa fase traz mais riscos para mãe e bebê.
Quando a reposição hormonal é indicada?
A terapia hormonal pode ser uma opção segura para mulheres sem contraindicações.
“A menopausa é parte normal da vida e nem sempre precisa de tratamento. Mas quando os sintomas trazem desequilíbrio físico ou emocional, existem tratamentos seguros e eficazes”
A reposição com estrogênio e progesterona é indicada após avaliação clínica detalhada. Mulheres que retiraram o útero podem usar apenas estrogênio.
Não devem iniciar terapia hormonal mulheres com:
- Histórico de câncer de útero e/ou de mama
- Sangramento uterino sem causa definida
- Doença hepática
- Histórico de trombose
- Doenças cardiovasculares
Para quem não pode ou não deseja usar hormônios, há alternativas não hormonais que podem ser consultadas.
Estilo de vida faz diferença?
Estudos publicados no Menopause Journal, da The Menopause Journal mostram que atividade física regular pode reduzir fogachos, melhorar o humor e proteger a massa óssea.
A endocrinologista recomenda:
- Alimentação equilibrada
- Atividade física regular
- Sono reparador
- Bem-estar mental
- Evitar tabagismo e excesso de álcool
- Manter relações saudáveis
“É hora de fazer escolhas que podem garantir não só uma saúde melhor, mas a manutenção da capacidade física e da qualidade de vida no futuro.”
A turismóloga Waleska Barros contou à Banda B que percebeu uma mudança significativa nos sintomas após incluir a musculação na rotina.
“Nos últimos seis meses, com a musculação regular, a insônia e a irritabilidade diminuíram muito. A reeducação alimentar e os suplementos também ajudaram.”
relata Waleska.
Ela acrescenta que o apoio familiar e a informação fazem diferença. “Estudar sobre o assunto, conversar com outras mulheres e fazer terapia tornam o processo mais leve.”
Mudanças físicas e emocionais desafiam rotina
Com 48 anos, Waleska vive uma transição entre a perimenopausa e a menopausa. As primeiras mudanças começaram a aparecer há cerca de uma década. “A insônia chegou de forma esporádica, depois vieram episódios de calor. Ao longo dos anos surgiram alterações no fluxo menstrual, mudanças de humor, ressecamento da pele, unha e cabelos, e a névoa mental, que é o que mais me desestrutura.”
Nesse processo, ela intensificou o acompanhamento médico, iniciou reposição hormonal e passou a monitorar o ciclo menstrual por aplicativo. Waleska compartilha que a sensação pode ser desorientadora.
“Tem momentos em que a gente se sente extremamente perdida. É como um luto. A mulher que eu era está dando lugar a outra que ainda estou conhecendo.”
conta a turismóloga.
Quando procurar um especialista?
A recomendação é buscar atendimento assim que surgirem os primeiros sintomas — especialmente se houver impacto na qualidade de vida.
Além disso, é fundamental investigar outras condições que podem causar sintomas semelhantes, como problemas na tireoide, diabetes e depressão.
“Os sintomas não dependem apenas das flutuações hormonais, mas da soma de experiências e condições de saúde. Uma avaliação clínica completa permite escolher estratégias de tratamento e prevenção adequadas para cada mulher.”
esclarece a endocrinologista.