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Não era para ser assim… mas aconteceu.

Casado há vinte e cinco anos, dois filhos, o vendedor de planos de saúde Sérgio Henrique Franco acordava cedo todos os dias, pegava o carro, levava a esposa ao emprego, deixava os filhos na escola e, por último, ia trabalhar.

Após o expediente, o curitibano fazia todo o caminho inverso, buscando a família e indo para a universidade, largando o carro em casa e optando por dirigir sua motocicleta Kawasaki Ninja de cor preta, usada normalmente para o lazer nos finais de semana.

Mas esse ritual diário da família Franco sofreu um duro golpe quando, no final da tarde do dia 27 de novembro de 2013, a caminho da faculdade, no Alto da XV,  em Curitiba, a moto de Sérgio bateu contra um ônibus, que atravessou a preferencial.

 

Família Franco antes do acidente – (Reprodução: Facebook)

O acidente causou uma fratura em sua coluna vertebral, pressionando a medula, uma séria lesão que causou o desligamento das ações cerebrais e a parte inferior do corpo. Devido ao impacto, Sérgio, com quarenta anos na época, pouco lembra do acidente.

“Acordei cinco dias depois, já no hospital. Fiquei sabendo o que tinha acontecido pelos outros, lendo o boletim de ocorrência. Pelo que sei, estava em uma via rápida, e um ônibus cruzou a preferencial e eu bati na lateral do ônibus”, explica. (Assista ao vídeo completo com o depoimento abaixo)

O motorista do coletivo nunca assumiu a culpa, e alega que a responsabilidade foi de Sérgio, apesar do ônibus ter furado a via preferencial do motociclista.

Após um longo tempo no hospital, voltando para casa e frequentando consultórios de fisioterapia durante os seis primeiros meses, para reaprender a desempenhar tarefas simples do cotidiano, ele enfim aceita o diagnóstico dos médicos: não voltaria a andar. Sérgio seria paraplégico para o resto da vida.

Sérgio e a família após o acidente – (Reprodução: Facebook)

O recomeço

Mesmo que hoje consiga levar uma rotina mais próxima a que se acostumou no sobrado de dois andares em que vive há quinze anos, readaptando cômodos e instalando um elevador improvisado entre os pisos da casa, Sérgio afirma que sente falta de atividades que antes considerava banais, como brincar com os filhos.

“O que mais me dói é não poder jogar bola com o meu filho, colocá-lo sob os meus ombros, assim como dançar com a minha esposa”, conta.

Sérgio com o time de basquete ADFP/Fênix da da UNIBRASIL – Reprodução Facebook

Hoje, cinco anos após o acontecimento que mudou o rumo de sua vida e de sua família, ele reflete sobre suas conquistas e a vontade de vencer as dificuldades. “Minha vida está um pouco melhor, aprendi a conviver com a deficiência, apesar de nunca ter aceitado o que aconteceu”, confidencia.

“Nesse último ano comecei a praticar esportes, jogando basquete na cadeira de rodas com um grupo de pessoas que têm os mesmos problemas. Antes disso, ficava exclusivamente em casa, em depressão, mas com a ajuda da família e dos amigos evoluí bastante, até porque eu estou saindo um pouco mais, convivendo com pessoas com as mesmas dificuldades, aprendendo diversas coisas que me ajudam no dia a dia”.

Sérgio nos bastidores da entrevista à Banda B

Perigo no trânsito

De acordo com o especialista multidisciplinar em trânsito, Celso Alves Mariano, os motociclistas são os indivíduos mais suscetíveis aos acidentes em estradas e vias municipais. “As motos são veículos frágeis devido à sua agilidade e tamanho, características que fazem com que os motociclistas sejam pouco ou mal percebidos pelos outros motoristas, inclusive pelos pedestres”.

Os números colhidos pelo BPTRAN/Detran comprovam essa tendência. Entre 2011 e 2016, dos cerca de 337 mil acidentes de trânsito registrados no Paraná, 139 mil envolviam motocicletas, equivalente a 41% de todas as ocorrências estaduais, apesar do número de carros no estado representar quatro vezes o de motos no Paraná.

Sérgio Franco cinco anos após o acidente

Somente em 2016, 20 mil acidentes envolveram esses veículos no estado, a maioria em vias municipais (16.064 acidentes), causando, em média, mais de 400 mortes de motociclistas todos os anos no Paraná.

Os dados nacionais também preocupam. Só em 2016, as motos representaram ⅓ das mortes no trânsito, ou 12,1 mil registros de óbitos relacionados aos acidentes em estradas e vias estaduais e municipais.

Mariano acredita que dois fatores podem ser preponderantes para o grande número de acidentes envolvendo motocicletas: a má formação dos condutores nas escolas de motoristas e o descaso dos condutores com a segurança.

“É importante dizer que a moto, por si só, não é um veículo perigoso. Ela é um veículo que tem características que exigem um preparo mínimo. Provocar um acidente não requer prática nem habilidade, mas para evitá-lo exige o preparo do motorista, exige educação, exige regras, exige fiscalização e exige punição para quem não as cumpre”.

Assista ao depoimento de Sérgio:

“Não venha parar nas páginas com notícias de acidentes de trânsito. Não faça parte desta estatística. Uma campanha do Detran/Pr. Trânsito Seguro: eu faço a diferença. Você é o responsável.”