A falta de sinalização no cruzamento onde a advogada Giovana Ceccília Jakiemiv Menegolo morreu, após colisão entre dois carros, “contribuiu de forma contundente” para o resultado, segundo o delegado Edgar Santana, responsável pelo caso. Giovana conduzia uma Mercedes-benz A250 quando foi atingida lateralmente por um carro da marca BYD em um cruzamento entre as ruas Tenente João Gomes da Silva e Solimões.
A via havia passado por uma obra de recapeamento e estava sem sinalização horizontal no momento do acidente, ou seja, a pintura da palavra “pare” no asfalto. Segundo a prefeitura, a pintura estava prevista para ser feita apenas nesta segunda-feira (4). Imagens registradas por uma câmera de segurança, que mostram a dinâmica do acidente, estão sendo analisadas pela Polícia Civil.

“É, a falta de sinalização do local, sem sombra de dúvidas, contribuiu de forma contundente para a ocorrência do resultado final. A Polícia Civil está na posse de imagens e sistema de monitoramento do local. Essas imagens serão remetidas ao Instituto de Criminalística para que possa formalizar a dinâmica e as circunstâncias do sinistro de trânsito e também realizar o exame do local do fato”, disse Santana nesta segunda.
Além disso, o delegado destacou que a polícia segue a linha de culpa concorrente, ou seja, a possibilidade de que diferentes condutas tenham contribuído de forma fundamental para o desfecho trágico. “A Polícia Civil vai apurar a conduta da condutora da Mercedes, a conduta do condutor do BYD e também a conduta por parte do Poder Público, principalmente no que diz respeito à sinalização”, acrescentou.
Moradores relataram à Banda B que a Rua Solimões estava completamente sem sinalização desde o início da obra. Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que lamenta o ocorrido e disse que a instalação de sinalização estava prevista para os dias seguintes. O órgão destacou que a pintura depende de condições técnicas específicas — como o tempo de cura do asfalto — para garantir aderência e durabilidade da sinalização.
“A obra de recuperação do pavimento foi realizada com o objetivo de melhorar as condições de tráfego e aumentar a segurança viária para motoristas, ciclistas e pedestres. O serviço de sinalização foi antecipado tão logo o pavimento apresentou as condições ideais. Importante reforçar que o Código de Trânsito Brasileiro determina que, na ausência de sinalização, os condutores devem observar as regras de preferência, redobrar a atenção e manter velocidade compatível com as condições da via — especialmente em cruzamentos urbanos”, diz trecho do comunicado.
Edgar Santana afirmou ainda que irá solicitar à administração municipal todos os documentos pertinentes relacionados à intervenção na via e destacou que, “a princípio, uma obra só é considerada finalizada no momento em que a sinalização está devidamente implantada”.
O acidente
A advogada Giovana Ceccilia Jakiemiv Menegolo, de 29 anos, morreu no sábado (2), após ter o carro que dirigia atingido por um veículo BYD em um cruzamento no bairro Mercês, em Curitiba. O automóvel dela, uma Mercedes-benz A250, chegou a tombar devido à força do impacto.
Vídeo mostra o momento em que o BYD, que seguia pela Rua Solimões, atravessa o cruzamento e atinge a lateral da Mercedes, que transitava pela via preferencial. A advogada chegou a ser socorrida em estado grave ao Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
“Essa rua está sem nenhuma placa de ‘pare’. Vim devagar, dei uma segurada e fui. Ela veio com tudo, não deu tempo de ver nada. Foi tudo muito rápido. Qualquer um passa direto ali, porque não tem sinalização nem no chão”, afirmou o motorista do BYD, Silso Eliel.
O corpo de Giovana Ceccilia foi sepultado na manhã desta segunda (4), no Cemitério Parque Iguaçu.
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