Os três vigilantes presos preventivamente nesta quarta-feira (16) sob a suspeita de matarem um homem em situação de rua na área externa de um posto de combustíveis, no bairro Rebouças, em Curitiba, são investigados por outros ataques violentos a pessoas em condição de vulnerabilidade. A Polícia Civil apura outros relatos de agressões, esfaqueamentos e até incêndio de barracos improvisados usados como abrigo por pessoas em situação de rua.
A vítima do assassinato foi identificada como Elias Andrade Lopes da Silva, de 30 anos. O homem foi espancado por cerca de 30 minutos no dia 26 de junho, com socos, pontapés, barra de ferro, cassetete e até um martelo. Câmeras de segurança registraram a sessão de tortura. Elias chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu.

Em coletiva de imprensa nesta quarta, o delegado Ivo Viana afirmou que as investigações apontaram que o caso não é isolado. Os três vigilantes — cada um vinculado a uma empresa de segurança diferente — atuavam nas madrugadas nos bairros Rebouças, Jardim Botânico e Prado Velho, onde costumavam se reunir, especialmente em postos de combustíveis.
A investigação aponta que o grupo cometia agressões sistemáticas contra pessoas em situação de rua sob a justificativa de que estariam evitando furtos na região.
“Nesse caso em específico, do dia 26, eles alegam que o rapaz que foi morto, de nome Elias, estaria praticando alguns furtos na região e teria, de certa forma, provocado eles. Mas o fato é que as agressões passaram de qualquer limite de razoabilidade. As imagens são bem claras”, avaliou Viana.
A polícia já apura pelo menos cinco casos semelhantes envolvendo o mesmo grupo. Em um dos episódios, dois homens em situação de rua foram esfaqueados no Prado Velho. Um deles continua internado em estado grave. Em outro, uma vítima teve as mãos queimadas.
“Eles estão tentando, de alguma forma, fazer justiça com as próprias mãos. Estão atuando como se fossem justiceiros, em desacordo com a legislação, sem o conhecimento dos órgãos de segurança pública.”
Além disso, o delegado revelou que os vigilantes escolhiam as vítimas de forma aleatória.
Eles devem responder por homicídio qualificado, associação criminosa e outros crimes que seguem sob investigação. Apenas um dos suspeitos tem passagem pela polícia, por violência doméstica.
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