O trabalhador Mayk Gustavo Ribeiro da Silva disse, nesta quinta-feira (28), que percebeu a corda afrouxar durante a limpeza que realizava em um prédio do bairro Batel, em Curitiba, mas que não imaginou estar sendo vítima de um crime. A declaração foi feita durante entrevista ao Encontro com Patrícia Poeta, da Rede Globo. Na última segunda-feira (25), o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou Raul Ferreira Pelegrin, morador da cobertura, por tentativa de homicídio.

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Reprodução

Confirmando ainda estar abalado e estado de choque, Mayk disse não entender os motivos do crime.

“Eu fiquei sem reação nenhuma, não entendi o porquê dele fazer isso. Eu estava há dois dias trabalhando no prédio, mas soube apenas depois [de estar no chão] que ele havia ameaçado um amigo de corda. Foi meu supervisor que viu lá de cima o que havia acontecido. Como que alguém pode fazer uma coisa dessas”, questionou.

Maik atua com limpeza de prédios desde 2021. Mesmo tendo medo de altura, encontrou na profissão a chance de trabalhar na pandemia.

No dia do corte, 14 de março, Maik havia paralisado o trabalho no 6° andar para almoçar. Ao retornar, tudo aconteceu.

“Como fiquei preso no trava-quedas, consegui mudar de corda e continuar a descida, sem perceber o que havia acontecido”, disse ao Encontro.

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Reprodução Google Street View

Racismo

Ao falar sobre outras ocorrências, Mayk contou já ter sido vítima de racismo em outra ocasião. Por medo, porém, optou por não fazer denúncia.

“Um morador já chegou a me oferecer banana pela janela. Eu, então, simplesmente disse muito obrigado e informei aos meus supervisores. Não denunciei por medo, vergonha e pressão psicológica”, concluiu.

Defesa

O advogado de Raul, Adriano Bretas, disse em entrevista à Banda B que a denúncia do MPPR é precipitada.

“A investigação não apurou absolutamente nada. Não foi feito sequer uma perícia, uma inspeção no local de fato, uma análise no equipamento do rapaz que estava trabalhando, bem como uma apuração do motivo que deflagrou isso tudo. O MP, a toque de caixa, oferece de afogadilho uma denúncia absolutamente vazia, que não conseguiu nem apurar o motivo de tudo isso”, afirmou.

Ele afirma que o momento do processo ainda é muito inicial e a denúncia será submetida ao contraditório. “Essa história está contada pela metade”, concluiu.

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Trabalhador diz que percebeu corda afrouxar, mas não imaginou ser vítima de crime no Batel

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