Um homem apontado como responsável por envenenar um adolescente, de 15 anos, com uma bebida conhecida como “chá de bateria” ganhou liberdade provisória após decisão da Justiça na semana passada. Ele estava preso preventivamente, e as investigações apontam que o ataque teria sido encomendado por um traficante da região do Ganchinho, em Curitiba. O mandante segue foragido.

O caso ocorreu em 30 de maio deste ano. Naquela dia, o adolescente foi levado a uma tabacaria do bairro e, segundo testemunhas, recebeu do suspeito um copo com uma bebida na qual teria sido misturada uma espécie de farelo. A vítima ingeriu o líquido e passou mal ainda no mesmo dia.

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Adolescente passou a ter alucinações e confusão mental após ingerir o líquido conhecido como “chá de bateria” — Foto: Arquivo pessoal

À Banda B, o advogado que representa a família do adolescente disse que a soltura do suspeito representa uma “vergonha para a sociedade”. “Ainda assim, nós temos uma situação de que o mandante desse crime está à solta. Está graçando também. […] Um está com a liberdade concedida por uma decisão equivocada do Poder Judiciário”, disse Igor José Ogar.

O estudante permaneceu internado por 12 dias no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie com quadro grave de alteração neurológica, confusão mental e agitação psicótica. Os médicos relataram presença de chumbo e mercúrio no organismo do adolescente, compatível com substâncias encontradas em baterias de caminhão.

Mesmo após quase duas semanas de internação, o adolescente continuou com alucinações e movimentos irregulares depois de receber alta. A equipe médica levantou a possibilidade de sequelas permanentes no sistema nervoso, já que os neurônios podem ter sido afetados pelo envenenamento. De acordo com o advogado, o jovem continua em “estado vegetativo e sem expectativas de melhora”.

Um dos irmãos da vítima afirmou à polícia, um mês depois do crime, que o adolescente havia começado a melhorar e revelado que a bebida envenenada não foi entregue dentro da tabacaria, mas em uma praça do bairro, onde o suspeito teria pressionado o jovem a ingerir o líquido.

A investigação aponta que o ataque foi uma retaliação. Segundo uma denúncia anônima, o adolescente teria se envolvido em uma confusão com um dos chefes do tráfico na região, que ordenou que ele fosse punido, mas não morto.

O suspeito que agora está em liberdade seria o responsável direto por obrigar a vítima a beber o “chá de bateria”.

O mandante, já identificado e com extensa ficha criminal, segue foragido. Ele é investigado por associação criminosa, tráfico de drogas, posse de arma de fogo de uso restrito e outros crimes registrados desde 2016.

A Banda B tenta localizar as defesas do suspeitos.