A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu um inquérito que apurou uma série de irregularidades em uma clínica veterinária conveniada ao poder público em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A investigação resultou no indiciamento de três médicos veterinários e da empresa responsável pelos serviços prestados ao município por supostos crimes de maus-tratos contra animais.

As apurações começaram em março deste ano, após denúncias mostrarem funcionários da clínica abandonando cães em uma área afastada da cidade. Veja vídeo abaixo.
Segundo a PCPR, dois cachorros que haviam sido recolhidos para procedimentos de castração por meio de um convênio com o Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) foram deixados na Vila Mezzomo, em uma região próxima a uma linha férrea ativa e distante mais de sete quilômetros do local onde viviam.
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Quando foram resgatados, os animais apresentavam sinais de desidratação severa e estavam com os pontos cirúrgicos rompidos e as incisões abertas, sem qualquer tipo de proteção, acompanhamento ou medicação para dor.
Polícia aponta abandono após procedimento cirúrgico
Durante as investigações, a defesa dos envolvidos alegou que a soltura dos cães fazia parte do protocolo conhecido como Captura, Esterilização e Devolução (CED), utilizado em programas de controle populacional de animais. No entanto, a Polícia Civil descartou essa justificativa.
De acordo com a corporação, o protocolo prevê que os animais sejam mantidos sob observação até a recuperação adequada, com cicatrização, identificação e devolução exatamente ao local onde foram capturados.
Para os investigadores, abandonar os cães debilitados em uma região diferente e considerada perigosa descaracteriza completamente o procedimento e configura abandono.
Vistorias encontraram diversas irregularidades em clínica veterinária indiciada
Além do caso envolvendo os cães, vistorias técnicas e laudos periciais apontaram uma série de problemas estruturais e operacionais na clínica.
Entre as irregularidades identificadas estão:
- Animais de grande porte mantidos em espaços considerados inadequados, sem condições de se movimentar livremente;
- Armazenamento irregular de materiais cirúrgicos sem controle de esterilização;
- Uso de instrumentos inadequados durante procedimentos veterinários;
- Falhas em protocolos de biossegurança;
- Presença de animais doentes em áreas comuns sem isolamento adequado.
Os peritos também constataram que um gato diagnosticado com esporotricose, doença infecciosa que pode ser transmitida para humanos e outros animais, estava alojado em uma enfermaria comum, sem qualquer tipo de sinalização ou barreira sanitária.
Cadáveres de animais eram mantidos em local inadequado
Outro ponto destacado pela investigação foi a forma de armazenamento de cadáveres de animais.
Segundo a Polícia Civil, os corpos eram mantidos em freezers instalados na área externa da clínica, próximos a materiais perfurocortantes sem proteção e ao lado de cadelas que amamentavam filhotes recém-nascidos.
Durante a fiscalização, um dos filhotes foi encontrado morto e sem atendimento.
Ainda conforme o inquérito, um animal sofreu lesões em decorrência da utilização de instrumentos considerados inadequados durante um procedimento cirúrgico.
Caso foi encaminhado ao Ministério Público
A Polícia Civil concluiu que os maus-tratos teriam resultado de decisões administrativas voltadas à redução de custos operacionais relacionados à recuperação pós-cirúrgica, alimentação e medicação dos animais.
Com base nas provas reunidas, os três médicos veterinários e a empresa foram formalmente indiciados.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que analisará o caso e decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
Câmeras de segurança flagraram momento do abandono
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