A Polícia Civil afirmou, nesta quinta-feira (24), que Ana Paula Campestrini Oganauskas, de 39 anos, era impedida de entrar no clube presidido pelo ex-marido, mesmo com treinos esportivos dos três filhos ocorrendo no local. As investigações, conforme aponta a delegada Tathiana Guzella, dizem que a mãe tinha que descobrir o horário dos treinos para poder ficar próxima das crianças, todas menores de idade.

Foi recentemente, porém, que a situação mudou. A vítima conseguiu o documento necessário para poder entrar no clube, por intermédio de uma pessoa que trabalha no local. A decisão contraria regimento interno do clube, que permite que pais, mães, babas acompanhem as atividades dos menores.
“Ela não era sócia e, antes da autorização, ficava na via pública, olhando muito de longe o treino dos filhos quando descobria o horário deles. Uma pessoa ficou compadecida com a situação e intermediou a realização da carteirinha. Infelizmente, o presidente do clube era o seu ex-marido e ele autorizou que Ana Paula fosse fazer o documento no dia da sua morte”, disse a delegada.
O ex-casal disputava na justiça a guarda das crianças. Além disso, outros processos ligados a bens patrimoniais corriam em paralelo desde o divórcio ocorrido há, aproximadamente, três anos.
O fato de Ana não poder ver os próprios filhos, segundo Guzella, pode ser uma forma de retaliação do ex-marido. A delegada contou que a vítima tinha o costume de dizer que, mesmo com as dificuldades financeiras, seu principal problema a distância dos menores.
“Infelizmente, ainda temos alguns delitos de intolerância à mulher, homofobia, rixas e vinganças, muitas vezes, tendo como fundo questões patrimoniais. (…) Além das imagens do crime, fomos atrás de muitas outras provas (…) que ainda estão se desenvolvendo na investigação. (…) A própria ex-psicóloga da Ana Paula, da qual a vítima parou o tratamento por conta das dificuldades financeiras, também confirmou que o único problema dela era a dificuldade em ver e ter contato com os filhos”, revelou.
Dia do crime
O clube, ainda de acordo com a delegada, foi o único local onde Ana Paula esteve antes de ser morta. Após retirar a carteirinha, ela foi seguida pelo motociclista até a frente do condomínio onde foram feitos os disparos.
“Quando ela saiu de lá, as imagens confirmam que havia uma pessoa a esperando [o motociclista]. O piloto a seguiu até o local onde ela foi morta. Ela tinha recém se mudado ao condomínio e ninguém sabia o endereço novo”, comentou.
O trajeto que a vítima fez do clube à própria residência levou cerca de 25 minutos, de acordo com a polícia. Para evitar constrangimentos, Guzella não confirmou a localização e o nome do clube.
Mesmo com estes detalhes, a polícia ainda não soube concluir se houve um pretexto para que Ana Paula fosse até o clube e assim permitisse uma perseguição.
“O que está comprovado são muitos subterfúgios (sic). Inclusive, o atirador troca de jaqueta para entrar no clube, não temos a cena. Ele desativa as câmeras de segurança sem informar os funcionários do local. Então, temos muitos elementos de subterfúgios (sic) em que é possível perceber que haja uma tentativa de esconder, ou mesmo, destruir elementos de prova”, analisou.
Arma e moto
Segundo a polícia, a motocicleta usada pelo atirador estava sem emplacamento e, junto com a arma, estava guardada até poucos dias no próprio clube. Os elementos de prova ainda não foram encontrados pelos policiais.
“Testemunhas nos deram informações sobre o paradeiro da motocicleta e da arma. É importante que as pessoas auxiliem com denuncias através do 0800 643 11 21, a denuncia é completamente anônima”, completou.
Prisões
Foram presos na manhã desta quinta (24) em suas casas, Wagner Cardeal Oganauskas e Marcos Antônio Ramon, como suspeitos do crime.
A polícia aponta que a motivação para o crime está ligada aos processos judiciais, mas, principalmente, a partir do último mês, momento que o ex-marido passou a ter decisões judiciais que o desfavoreciam.
“Ambos tem passagens policiais. O atirador por tráfico de drogas e outros crimes que envolvem violência doméstica e familiar. O segundo investigado também tem passagens por crimes de menor potencial ofensivo”, situou Guzella.
Defesa
O espaço da Banda B está aberto para as defesas do ex-marido de Ana Paula, Wagner Cardeal Oganauskas, e do outro acusado, Marcos Antônio Ramon, se pronunciem sobre a situação. O clube se pronunciou por nota. Confira na íntegra:

📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.