Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

Após ouvir as primeiras testemunhas sobre a morte de Gilson Camargo, de 28 anos, a Polícia Civil começou a investigar se a arma entregue como sendo da vítima à Delegacia de Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, estaria dentro de uma bolsa entregue ao acusado no dia do crime. Segundo informações repassadas à imprensa nesta quinta-feira (28), o soldado da Polícia Militar Eurico Gerson Araújo Pires teria recebido essa bolsa de um colega de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), enquanto ainda era ouvido como testemunha.

soldadopresoDepoimento de Gerson deve acontecer na próxima semana (Reprodução)

De acordo com o delegado Antônio Messias da Rosa, ninguém até o momento assumiu como a arma chegou para ser entregue a Polícia Civil, o que torna necessário o depoimento do soldado Gerson para se confirmar se houve a participação de outras pessoas na tentativa de forjar um confronto. “O depoimento deste colega do acusado afirma que a esposa de Gerson teria entrado em contato com ele e solicitado a bolsa, uma vez que o acusado ainda vestia a roupa do jogo. Este amigo estaria em Piraquara quando ficou sabendo do fato e deixou a família para vir até Campina Grande do Sul ver o Gerson, mas afirma que não sabia o que tinha dentro da bolsa”, explicou o delegado.

A Polícia Civil chegou a solicitar para ouvir o soldado nesta quinta-feira (28), mas por questões jurídicas, precisou adiar para a próxima semana. “Todos os policiais disseram desconhecer como a arma foi entregue, então vamos esperar esse trâmite jurídico para ouvir o soldado e decidir se esposa e amigo podem ser investigados por participação na entrega da arma forjada”, concluiu Messias da Rosa.

Entre os ouvidos pela polícia ainda, está a pessoa que possuí o registro da arma entre como sendo de Gilson, um comerciante de Joinville, Santa Catarina. Ele explicou que a arma foi furtada do restaurante em que é dono recentemente, o que pode levar o soldado Gerson a responder ainda por receptação.

Anteriormente, o delegado Messias da Rosa já havia declarado que não há indícios de que a vítima estivesse armada quando foi baleada. O soldado Gerson segue detido no Batalhão de Polícia de Guarda de Piraquara, à disposição da Justiça.

Gilson foi morto a tiros durante partida de futebol amador. (Foto: Reprodução)Gilson foi morto a tiros durante partida de futebol amador. (Foto: Reprodução)

O caso

O time do policial disputava uma partida contra a equipe de Gilson. Em momentos diferentes, o representante foi expulso e o policial substituído no jogo. Os dois terminaram de assistir a partida na arquibancada. A versão do policial é que ele perseguiu o representante, em direção ao estacionamento, por imaginar que ele estivesse armado, já que andava com as mãos na cintura.

O PM atirou três vezes contra Gilson. Imagens que circulam por meio das redes sociais nesta segunda-feira mostram uma garrafa de água sendo retirada da cintura do jovem, o que negaria a versão dada pelo policial. O PM, lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) do 22º, foi levado por uma viatura até a Delegacia de Campina Grande do Sul. De lá, após depoimentos, o policial militar foi para a casa e retornou à corporação para dar seguimento ao processo.

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