Em entrevista coletiva nesta terça-feira (23), o delegado Vinicius Carvalho, da Delegacia de Trânsito,  afirmou que as investigações sobre o acidente que matou quatro mulheres na Linha Verde, no dia 31 de julho, comprovaram que, de fato, um pedestre atravessou a canaleta em local proibido, como afirmaram os policiais militares em depoimento. Porém, a polícia não conseguiu identificar esta pessoa.

De acordo com o delegado, o fato deste pedestre atravessar em local proibido é um dos motivos do acidente, mas há também outros elementos como o excesso de velocidade, a presença da viatura na canaleta exclusiva do ônibus sem estar em atendimento de nenhuma ocorrência e com a sirene desligada, informou o laudo do Instituto de Criminalística.

Quatro mulheres morreram no acidente – Foto Banda B

“De fato esta pessoa passou á frente da viatura, mas não conseguimos identificá-la. O trecho do acidente bifurca embaixo do viaduto à direita e fica contramão à esquerda. essa pessoa surgiu de repente e o motorista disse que desviou para não atingi-la. Mas o laudo mostrou que a velocidade da viatura antes do acidente era de 138 km/h, num trecho que o limite é de 70 km/h, o que prova que o motorista assumiu o risco de produzir o evento”, disse o delegado.

As quatro vítimas estavam no ponto de ônibus. Duas mulheres morreram no local e as outras duas no hospital. Os dois policiais militares estão afastados do trabalho nas ruas.

A Polícia Civil também informou que os PMs não estavam atendendo a nenhuma ocorrência quando a batida aconteceu. Ficou comprovado ainda que a sirene do carro não estava ligada, como determina a lei em casos de circulação de viaturas dentro da canaleta exclusiva por ônibus e apenas durante atendimento.

De acordo com o delegado, o motorista será indiciado por homicídio com dolo eventual, quando assume o risco de matar, e o passageiro por falso testemunho, já que disse em depoimento que a equipe atendia a uma ocorrência quando houve a batida. “Vamos concluir o inquérito e o Ministério Público vai decidir se oferece a denúncia por homicídio com dolo eventual,o que levaria o policial condutor a júri popular, ou se oferece denúncia de homicídio culposo, que levaria o caso para a vara de Trânsito”, explicou.

De acordo com o laudo da Criminalística, quando a viatura bateu contra o meio-fio, reduziu a velocidade para 89 quilômetros por hora e, ao invadir a calçada e atingir as mulheres, estava a 74 quilômetros por hora. Só parou quando atingiu outro carro a 49 km/h. Foi neste momento que o airbag abriu.

Vítimas

Morreram no acidente Elizandra Maltezo Araújo Lustoza, de 32 anos, e Vergínia Gouvea Enes, de 67 anos, nora e sogra, que estavam em um ponto aguardando o ônibus quando foram atingidas pela viatura. Elas tinham ido a uma consulta no Hospital Erasto Gaertner e morreram após o corro, no hospital.

As outras duas vítimas morreram no local: Fabiana Maria da Silva, de 29 anos, e Franciele Aparecida dos Santos, de 33 anos. As duas eram operadoras de telemarketing.

Nota PM

Em nota, a Polícia Militar informa que o agente que conduzia a viatura no incidente foi retirado de suas funções normais, prestando serviços administrativos, e o passageiro está completamente afastado da PM. A corporação ainda destaca que não emite ‘juízo de valor’ sobre as conclusões do inquérito e que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes.

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