O delegado que conduz a investigação da emboscada contra uma família em Bocaiúva do Sul, Mario Sergio Zacheski, conhecido como Delegado Bradock, pode ser afastado do caso a pedido do pai da criança baleada. As informações são do repórter Ricardo Vilches, da Ric RECORD.

O pai, Adeiqson, se apresentou à Corregedoria e afirmou que está sendo alvo de tentativas de incriminação sem provas, enquanto, segundo ele, o lado dos atiradores estaria sendo tratado de forma mais branda. O pedido de afastamento é feito pelo advogado do pai, Juliano Vidal, que mantém uma história antiga com o delegado.
Adeiqson foi atingido no braço durante o atentado ocorrido em janeiro. Sua filha, de apenas três anos, permanece internada em Curitiba após ter sido baleada na cabeça.
“Só dei tchau para a minha família e a minha menina. Partiu o meu coração. Eu vou estar à disposição da Justiça até onde for preciso e vou provar a minha inocência”, disse Adeiqson.

Ele é suspeito de participação em um assalto e espancamento de um idoso, que acabou morrendo 17 dias depois. A neta da vítima está presa por tentar vingar o avô e admitiu ter disparado no carro em que Adeiqson estava. Ele, porém, nega envolvimento no crime e afirma que estava trabalhando no mesmo dia com o sobrinho da vítima. O sobrinho revelou que foi instruído pelo delegado a prestar um depoimento com versão diferente da realidade.
O advogado Juliano Vidal afirma que o delegado está sendo parcial na investigação.
“Esse pedido foi feito porque o Adeiqson não se sente seguro da forma como as investigações estão sendo conduzidas. A autoridade policial busca colocá-lo na cena de um crime que ele nega ter participado.”
A defesa contesta que a suspeita presa agiu sozinha, enquanto Adeiqson mantém que outros homens realizaram os disparos.
Advogado tem ‘relação antiga’ com delegado
Juliano Vidal, que já foi policial militar, foi preso e expulso da corporação em 2001 após investigação conduzida pelo então delegado Bradock em um caso envolvendo supostos homicídios a mando de comerciantes de Rio Branco do Sul. Apesar da história, o advogado afirma não guardar mágoa do delegado.
O delegado Bradock também disse à Ric RECORD que não mantém ressentimentos pessoais.
O caso em Bocaiúva do Sul segue em segredo de Justiça, e não há previsão de decisão sobre o afastamento do delegado.