Renata Oliveira, a mãe que sobreviveu após ser espancada pelo próprio filho em um ataque violento e brutal em 9 de março, no Sítio Cercado, em Curitiba, quebrou o silêncio sobre a tentativa de feminicídio e revelou que deseja justiça pelo crime cometido.

A vítima, visivelmente abalada e ferida – com os olhos roxos e ponto na testa, afirma que se encontra em estado emocional abalado, traumatizada e assustada ao ouvir pessoas falando alto ou portas batendo. As informações são da Ric RECORD.
“Eu quero justiça. Eu quero que, apesar dele ser meu filho, pague por tudo o que ele fez. Na verdade, se eu escutar uma voz de homem ou se escutar uma voz falando alto, batendo uma porta, tudo isso me assusta”
desabafou a mãe.
Nora da vítima apresenta versão diferente do crime
Entretanto, a versão apresentada pela nora da mulher é diferente. Ela afirma que mãe e filho estavam discutindo, quando a vítima teria pego um canivete e os dois teriam entrado em luta corporal, momento em que aconteceram as agressões.
“A discussão foi ficando feia. Ela pegou e falou bem assim: ‘Eu coloquei no mundo, eu vou tirar’. E pegou o canivete e foi para cima dele. Os dois começaram a brigar, se bater. Entraram em luta corporal. Quando ele soltou ela, ele saiu correndo. Ela levantou. Eu fui falar com ele. Ele falou: ‘Chama a polícia porque acho que matei minha mãe’. Deitou no chão e ficou esperando a polícia”
contou a nora.
A vítima contesta a versão contada pela nora e apresenta, até mesmo, prints das conversas das duas antes e depois do crime. Segundo a mãe, a atitude de pegar o canivete foi para defender outros moradores do prédio de possível ataque do filho.
“Ela relata que ele é um pobre coitado, que sofreu na infância. Se ele é um pobre coitado, se eu fui uma mãe tão ruim, se eu não prestava e batia neles como ela falou, por que ele morou comigo até os 19? É mentira. Peguei o canivete porque achei que, realmente, ele queria matar alguém lá embaixo”
afirma a mãe do agressor.
Prints de conversas mostram a nora pedindo ajuda à sogra
As capturas de tela do diálogo entre as duas antes das agressões revelam que a nora havia pedido ajuda para a sogra e, até mesmo, relatado a mudança no comportamento do agressor. “Ele era uma pessoa carinhosa, uma pessoa maravilhosa e, do nada, ele muda“, escreveu.
Em outro trecho, a nora explica que o suspeito está em uma distribuidora na região e pede que a mãe vá até o local com carro de aplicativo. Porém, ao chegar no estabelecimento, Renata encontrou o filho bebendo.
Ao retornar ao apartamento, o agressor já estava violento. Segundo informações da vítima, o suspeito chegou a agredir até mesmo a esposa.
“Pegou ela pelos cabelos. Quando ele pegou ela pelos cabelos, entrei na frente dela pra protegê-la”
afirma a mãe.
Nora afirma se sentir culpada pelo ocorrido
No dia seguinte após as agressões, quando Renata estava no hospital, recebeu mensagem da nora, alegando estar triste com o acontecido.
“Eu imagino como você deve estar se sentindo. Eu estou muito triste porque amo ele, mas o que ele fez foi horrível. Ele estava fora de si. Eu não sei o que faço. A delegacia está me ligando direto”
disse a nora.
A conversa ainda se desenvolve para outro sentimento. “Estou me sentindo culpada por você estar assim. Profundamente triste com tudo. Eu sei que ele não merece nada. O que ele fez foi imperdoável“, afirma.
Advogado de defesa trata caso como tentativa de feminicídio
Durante a audiência de custódia o filho chorou e disse que não havia usado drogas, mas confessou que tinha ingerido bebida alcoólica. O suspeito foi preso por lesão corporal no âmbito da violência doméstica contra a própria mãe.
Entretanto, o advogado da mãe, Richard Paulo Lemes de Macedo, trata o caso como tentativa de feminicídio.
“Quem disfere inúmeros golpes, socos, chutes, joelhadas contra a própria mãe, a sufoca, esgana até que ela perca todos os sentidos e só consiga sobreviver por milagre é óbvio. Logo após ainda diz: ‘Eu matei’. É óbvio que a pessoa não quer apenas lesionar, essa pessoa tentou matar”
diz o advogado.
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