Júri popular de homem que matou esposa esfaqueada na frente dos filhos é adiado após defesa sair do plenário

Israel responde por homicídio doloso, com quatro qualificadoras. O julgamento ainda não foi remarcado

Juliana Henzch e Antônio Nascimento

O júri popular do réu Israel de Souza Santos, de 41 anos, acusado de assassinar a esposa, Izabel Spies, de 40, com facadas em novembro de 2023, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, foi adiado. Segundo apurou a Banda B, o julgamento estava previsto para começar nesta quinta-feira (6), porém, precisou ser suspenso após a defesa sair do plenário.

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Izabel Spies morreu esfaqueada no dia 13 de novembro de 2023, em Araucária. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

De acordo com o assistente de acusação, Jackson Bahls, a situação iniciou após um dos filhos do casal não comparecer no julgamento. Segundo ele, o rapaz não seria testemunha e não teria prerrogativa de imprescindível no caso, ou seja, não mudaria o rumo do júri.

“Em razão disso, manifestamos no sentido de prosseguir com o julgamento, mas a defesa manifestou para o julgamento ser adiado. O juízo decidiu que o julgamento deveria acontecer, então a defesa não satisfeita acabou por se retirar do plenário”

explicou Bahls.

Jackson afirmou que essa retirada é uma prerrogativa do advogado em alguns casos, porém, nesse momento, foi utilizado de forma equivocada e indevida.

“Isso acarretou um atraso no julgamento, uma frustração da família e de toda a sociedade de Araucária. Nós esperamos agora que esse júri seja marcado o mais breve possível para dar resposta ao acusado, aos seus defensores e aplicar uma pena exemplar, reconhecendo as quatro qualificadoras”

disse o assistente.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), Israel responde por homicídio doloso, com quatro qualificadoras: motivo fútil, meio cruel, dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

Ainda, ele pode ter a pena aumentada por conta do crime ter acontecido na presença dos filhos.

Outro lado

Procurado pela reportagem da Banda B, o advogado do réu, Patrício Jean Pereira, explicou o motivo da saída no plenário. Pereira alega que o intuito era que houvesse o prosseguimento do julgamento e a devida aplicação da norma da lei aos fatos pelo qual o cliente dele responde.

“Em momento algum nosso intuito foi deixar o plenário. Contudo, em decorrência de uma arbitrariedade do juízo, não nos restou outra alternativa a não ser deixar o plenário. A juíza entendeu que não havia necessidade da oitiva de testemunha extremamente relevante, violando assim a plenitude da defesa, o exercício contraditório, uma prova extremamente relevante não seria produzida durante a sessão de julgamento”

disse.

De acordo com o advogado, o filho do casal entraria como testemunha no julgamento e seria imprescindível para o esclarecimento dos fatos.

“Essa testemunha é tão relevante que o depoimento dela em sede policial foi utilizado para fundamentar a denúncia ofertada ao meu cliente. O depoimento dela em juízo, durante a instrução processual, foi utilizado para fundamentar a pronúncia do meu cliente. E como nós poderíamos deixar de ouvir essa testemunha hoje perante o conselho de sentença?”

afirmou Patrício.

O crime

O crime aconteceu no dia 13 de novembro de 2023, no bairro Jardim Primavera. Izabel Spies recebeu as primeiras facadas dentro de casa na frente dos filhos, de 13 e 17 anos. Ela tentou fugir pedindo por socorro, mas foi alcançada pelo companheiro e assassinada na esquina da residência.

O filho mais velho do casal pegou o carro da família e tentou seguir o pai. Após o crime, o homem fugiu de moto.

As discussões entre o casal seriam constantes, segundo vizinhos e familiares, e o marido já teria colocado um revólver na boca de Izabel para ameaçá-la. O casal estava junto há 18 anos.

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