Condomínio Serra do Mar. Foto: DM/Banda B
As investigações sobre a morte de Marilda Aparecida Pereira, 53 anos, avançam poucas horas após o crime e apontam que ela foi assassinada por se sentir incomodada com o tráfico de drogas. Marilda foi arrastada de dentro de casa, implorou pela vida, mas foi morta a tiros e enterrada em um matagal, nos fundos do condomínio Serra do Mar, em São José dos Pinhais, onde morava.
O delegado do município Amadeu Trevisan disse à Banda B, na manhã desta sexta-feira (11), que as investigações estão bem adiantadas. “Estamos com um pessoal trabalhando no condomínio, a Polícia Civil trabalha a partir do ocorrido. Estamos recebendo informações e esse caso também será esclarecido. Até o momento, sabemos que ela era uma pessoa que se incomodava com o tráfico de drogas e o consumo de drogas naquele local. Ela se sentia desconfortável no meio daquilo tudo”, contou.
Segundo Trevisan, o filho da vítima será ouvido ainda nessa manhã na Delegacia de São José dos Pinhais. O jovem estava em casa com a namorada, no quarto, quando ouviu os atiradores encapuzados entrar na casa e levar a mãe, à força. Segundo testemunhas, a mulher gritou pedindo que não fosse morta pelos assassinos. O corpo da mulher estava enterrado em uma cova rasa dentro do próprio condomínio, apenas com um dos braços para fora.
Crimes
O condomínio é conhecido pela quantidade de Boletins de Ocorrência (BO) registrados pela Polícia Militar (PM), assim como o número de casos de violência. Na Delegacia de São José, 70 mandados de busca e apreensão já foram cumpridos no local.
O último crime registrado tinha sido em abril. O vice-campeão paralímpico José Aguimarino Jesus, conhecido como “Zecão da Canoagem”, foi morto porque “atrapalhava” o tráfico de drogas no condomínio. No início do ano, o síndico Airton Bernardo da Silva também foi assassinado. Segundo as investigações, há evidências de que o síndico mantinha uma amizade com um dos grandes traficantes da região, que seria o alvo dos assassinos.
Todos elucidados, os crimes que acontecem dentro do Condomínio Serra do Mar tem discussões banais e tráfico de drogas como pano de fundo. Outras situações envolvendo moradores do Serra do Mar ou mortes nas áreas externas também podem ter relação com o convívio dentro do condomínio.
Para o delegado, é preciso interferências sociais e públicas no condomínio. “A grande parte das famílias que mora ali é de bem. O que é necessário fazer ali, já pedi por ofício ao Ministério Público Federal (MPF), um levantamento das pessoas que moram ali, quem são os proprietários originais daquele condomínio, quem realmente tem direito de morar ali, fazer uma desocupação e voltar à origem do que era o condomínio. É preciso fazer um trabalho não só de polícia, mas também de política pública”, finalizou Amadeu Trevisan.
https://www.bandab.com.br/jornalismo/conhecido-como-condominio-da-morte-serra-do-mar-registra-quatro-homicidios-em-2017/
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