O caso do assassinato de Danilo Roger Bido Ferreira, de 32 anos, em Iporã, no noroeste do Paraná, ganhou uma nova reviravolta nesta quarta-feira (5). Um novo suspeito foi preso e confessou ser o autor do crime, além de ter afirmado à Polícia Civil que é um serial killer responsável por outros três assassinatos cometidos neste ano na mesma cidade.

De acordo com o delegado Luã Mota, a prisão aconteceu durante diligências conduzidas pela polícia. O homem foi localizado na região central de Iporã e, durante o interrogatório, confessou o assassinato de Danilo, que foi morto com 18 facadas na madrugada de 31 de agosto.

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Danilo Roger Bido Ferreira saiu de casa apenas de pijama e foi encontrado morto em agosto — Foto: Reprodução/Redes sociais

No dia 10 de outubro, um amigo de Danilo Roger foi preso temporariamente sob a suspeita de tê-lo matado. No entanto, a prisão dele deverá ser revogada. O delegado disse que “essa prisão foi necessária para dirimir algumas dúvidas que existiam no inquérito policial”.

À Banda B, o advogado que representa o amigo da vítima afirmou que ele “sempre foi inocente”. Além disso, câmeras de segurança comprovam que o jovem não esteve com Danilo, segundo o defensor. O estudante de Direito deverá ser solto nas próximas horas.

De acordo com Luã Mota, o novo preso contou que atraiu Danilo até um local ermo, fazendo o jovem acreditar que teria um encontro amoroso. Durante o interrogatório, confessou ter matado o rapaz com 18 facadas.

“Ele se identificou como serial killer. Disse que atraiu o Danilo no dia induzindo que teria relação amorosa com ele nesse lugar ermo. Chegando lá, cometeu o homicídio. Após isso, ele foi caminhando para casa e a roupa utilizada… Ele colocou fogo ali mesmo na sua residência”, explicou o delegado.

Ainda durante o depoimento, ele indicou aos policiais que a faca usada no crime estava escondida debaixo do colchão. Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do homem e encontraram a arma usada. “A equipe foi até a casa dele e localizou, segundo o investigado, o que seria a arma do crime”, completou o delegado.

Além de confessar o assassinato de Danilo, o homem disse ter atuado sozinho e negou qualquer ajuda antes, durante ou depois do crime. Ele também declarou ser o responsável por outros três assassinatos registrados em 2025, todos ocorridos em um raio próximo ao bairro onde mora.

“A Polícia Civil agora vai adotar diligências para realmente identificar se foi ele mesmo o autor desses outros três homicídios”, acrescentou o delegado.

A identidade do suspeito não foi divulgada.

Estudante de Direito será solto

Com a confissão, a Polícia Civil deve pedir a libertação de Juan Lucas Martins Zanfrilli, estudante de Direito de 24 anos, que havia sido preso no dia 10 de outubro por suspeita de envolvimento no mesmo caso. A prisão dele, segundo o delegado, ocorreu para esclarecer dúvidas que existiam no inquérito policial.

O advogado de Juan Lucas, Alessandro Dorigon, afirmou nesta quinta-feira (6) que o cliente passou a ser investigado por causa da localização do celular dele. “O Juan reside num sítio próximo ao local onde o corpo do Danilo Bido foi achado. Então, por conta dessas localizações dos celulares, diante das investigações, o delegado entendeu por pedir a prisão temporária do Juan para tentar arranjar provas”, disse.

Segundo o advogado, a casa do estudante fica a cerca de 3 quilômetros do local do crime. A defesa também apresentou provas de que Juan estava em casa com um colega no momento do ocorrido. “Ele deu depoimento e afirmou que não viu Juan saindo de casa”, acrescentou.

A defesa ainda aguarda a libertação do jovem.

O que diz a Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil afirmou que Juan Carlos foi preso em outubro após “inúmeras diligências e investigações, entre elas a análise de dados telefônicos e telemáticos, os quais apontavam a autoria em direção a esse investigado”.

Segundo a corporação, uma das testemunhas afirmou que a vítima e Juan já mantinham vínculo pessoal anterior, reforçando os elementos de prova obtidos pela Polícia Civil até então. Após a prisão, o estudante foi submetido a interrogatório e optou por ficar em silêncio, não se manifestando, em nenhum momento, sobre suposta inocência ou refutando as provas obtidas pela polícia.

Ainda, na análise preliminar do aparelho celular do investigado, a polícia identificou que todas as conversas do final de semana em que ocorreu o crime haviam sido apagadas.

“Ato contínuo, alguns dias após a prisão, o advogado de defesa apresentou uma testemunha que afirmava estar com o investigado no dia e horário do crime. Essa testemunha foi ouvida e declarou que encontrou o investigado por volta das 21h30 do dia anterior aos fatos. Relatou, ainda, que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes, inclusive encaminhando um vídeo que mostra o uso dessas substâncias”, acrescentou a corporação.

Segundo o depoimento da testemunha, após os efeitos das substâncias, ele dormiu por volta de 00h40 e acordou próximo às 5h da manhã, não estando, portanto, acordado no horário exato em que o crime ocorreu, tendo em vista que o crime ocorreu entre 1h e 1h30 da madrugada.

“Dessa forma, não foi possível requerer a revogação da prisão temporária, pois não foram apresentados elementos que comprovassem a inocência do investigado, e as investigações ainda estavam em curso.”

O segundo suspeito, preso nesta semana, foi identificado “com a utilização de outras técnicas investigativas”. O confronto das digitais do segundo investigado com as que foram encontradas no veículo da vítima confirmaram o vínculo dele com o crime.

Preso temporariamente, o segundo suspeito confessou o assassinato e alegou ter agido sozinho.

“Entretanto, ainda se faz necessária a perícia nos aparelhos celulares do primeiro e do segundo investigado, afastando qualquer possibilidade de vínculo entre eles ou responsabilidades penais sobre o primeiro preso, a fim de concluir o inquérito policial e encaminhá-lo ao Ministério Público para as providências cabíveis”, concluiu a Polícia Civil.