O réu que se passava por falso fotógrafo, João Luiz Tadeu de Jesus, de 30 anos, preso desde 2025, em Curitiba, por produzir, distribuir e vender material pornográfico em larga escala, pode ter feito mais de 700 vítimas de abuso sexual. O material apreendido, celulares e computadores, guardava quase 4.500 fotos e vídeos de mulheres em situações íntimas sem consentimento.

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Falso fotógrafo de Curitiba preso por gravar abusos sexuais contra mulheres pode ter feito mais de 700 vítimas. (Foto ilustrativa: Freepik).

Os crimes foram cometidos em 2018, quando João dizia ser fotógrafo de uma suposta agência de modelos e convidava mulheres para ensaios fotográficos em hoteis na região central da capital. Entretanto, era nesse momento que abusava das vítimas. As informações são da Ric RECORD.

O réu foi preso em flagrante por policiais do 7º Distrito Policial em Curitiba. O material produzido e divulgado por ele foi apreendido. Segundo o delegado Hormínio Lima, João gravava momentos de estupro e agressões. Depois, ele ainda extorquia as mulheres para não divulgar o conteúdo.

“Ele fazia essas imagens estuprando, tendo relações sexuais, agredindo essas mulheres. Enfim, uma série de absurdos “

afirmou o delegado Hormínio Lima.

Segundo a investigação, o material gravado era divulgado nos grupos ilegais de compartilhamento de pornografia, o que abria caminho para extorsão das vítimas.

A quantidade de arquivos encontrada com João aponta para, pelo menos, 700 possíveis vítimas, por isso, ele pode se tornar um dos maiores divulgadores de imagem íntima sem autorização já preso pelas autoridades brasileiras.

Modus Operandi

Conforme apontam as investigações, João tinha um modus operandi claro para atrair vítimas: desde 2018, ele atuava por meio de uma falsa agência de modelos, usada apenas para anunciar vagas de emprego e conseguir mulheres para os supostos ensaios fotográficos.

O criminoso convidava as vítimas para hoteis na região central de Curitiba com a proposta de realizar as fotos, mas ao chegarem no local, elas eram surpreendidas com a agressividade do réu.

“Ele entrou, trancou a porta e falou: ‘Oi, tudo bem? Eu sou fotógrafo, só que o negócio é o seguinte: ou a gente transa e eu filmo ou eu te mato”

contou uma vítima sobre o crime.

Segundo a polícia, o modus operandi era dividido em contratar serviços de prostitutas ou atrair modelos com a falsa promessa de agência. Elas eram convidadas para quartos de hotel, e, por fim, obrigadas a ter relações sexuais sem consentimento e gravadas sem autorização.

Criminoso extorquia vítimas

Após cometer a primeira parte do crime, João ainda tinha o segundo plano: extorquir as mulheres ameaçando vazar as imagens filmadas.

“Eu fiz tudo o que tinha que fazer, ele gravou. Eu saí de lá me sentindo um lixo de pessoa, coisa que eu nunca achei que ia sentir na vida. Não contei para ninguém nunca. Essa história ia morrer comigo”

relatou outra vítima.

Além disso, o criminoso ainda comercializava dados pessoais das mulheres como nome completo, endereço, cadastro em redes sociais e até mesmo CPF, expondo todos elas a outros delitos. Ao ser interrogado pela Justiça, João confessou a prática.

Venda de conteúdo ilegal com tabela de preço progressivo

A investigação da polícia também revelou que todo material era vendido. Entretanto, cada conteúdo tinha um valor específico, com direito a tabela de preços progressivos.

“Para ter uma fotografia nua, era R$ 50. Para você ter o vídeo, R$ 100. Para você ter o telefone e o nome da pessoa, R$ 250”

afirmou o delegado Hormínio.

Segundo o investigador, o acusado tem vítimas espalhadas no Paraná, Santa Catarina e até mesmo nos Estados Unidos. A apuração ainda indica meninas menores de idade que também podem ter sido abusadas por João.

“Ainda me afeta muito lembrar de tudo isso que aconteceu, ainda é uma dor muito grande que tem aqui dentro, mesmo depois de tanto tempo. Acho que nunca vai passar isso”

contou mais uma vítima.

Vítimas devem denunciar e pedir ajuda às autoridades

O delegado Nasser Salmen ainda reforça a importância da denúncia das vítimas para que as autoridades consigam prosseguir com as investigações do caso.

Segundo ele, a identificação se torna mais difícil apenas com as imagens. É necessário também que mulheres procurem a polícia para denunciar o crime.

“Vai ser muito difícil só com as imagens a identificação das vítimas. A gente espera que, com a divulgação na imprensa, certamente outras vítimas possam nos procurar para que a gente possa desenvolver nossa outra linha de investigação que já começou”

reforçou o delegado.

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