Antonio Henrique dos Santos,  ex-marido da gerente da Caixa Econômica Federal (CEF), Tatiana Lorenzetti,  preso acusado de mandar matá-la, estaria tentando tirar a vida dela há pelo três anos, informou nesta quinta-feira (7), à Banda B, a delegada Vanessa Alice, da Delegacia da Mulher. Nas duas primeiras vezes, não conseguiu. Agora, na terceira, pagou R$ 25 mil para ser dividido entre quatro pessoas e conseguiu o que queria, diz a polícia.

“Ele pagou R$ 25 mil para dividir entre os quatro acusados que estão presos, um valor ínfimo diante do valor de uma vida humana. Uma filha que ficou sem a mãe e uma família que ficou sem uma filha. Tudo para ficar com a guarda da criança e levar um seguro de vida”, afirmou a delegada Vanessa Alice.

“O Tonhão (ex-marido) vinha planejando o crime há três anos sempre pensando em simular um latrocínio. Na primeira vez, não conseguiu. Na segunda vez, chegou a pagar a entrada de R$ 15 mil, mas o executor foi preso antes do crime. Agora, conseguiu que seu plano de morte desse certo”, completou a delegada.

Tatiana Lorenzetti morreu aos 40 anos – Arquivo pessoal

Nesta quarta-feira (6), Moisés Gonçalves, o quinto e último suspeito de envolvimento no assassinato de Tatiana, foi preso. Ele é apontado pela polícia como intermediador e que teria contratado outros três homens para matar a gerente no dia 28 de dezembro.

Outros dois homens, André Luiz Correia Barboza e Thales Arantes da Silveira Serafim, tiveram as prisões convertidas em preventivas. Eles são suspeitos de terem sido contratados por Antonio para o assassinato.

O homem que teria atirado em Tatiana, conhecido pelo apelido de Neguinho, morreu em confronto com policiais militares após o crime.

A delegada deve encerrar o inquérito nesta sexta-feira (8).

Defesas

O advogado de Moisés, Igor José Ogar, disse em entrevista à Banda B, que seu cliente não sabia que o contato seria usado para consumar um assassinato. “Ele foi questionado por uma terceira pessoa de nome Tonhão (Antônio) para que passasse o contato de alguém para realizar ‘uma parada’. Ele, pensando que seria algo relacionado a drogas na favela, indicou e passou o telefone. Mas, sem saber que seria uma prática de um crime de homicídio”, pontuou o advogado.

Ogar explicou ainda que conversou com a delegada Vanessa Alice, responsável pelo caso, e explicou que o jovem se apresentaria à Delegacia da Mulher nesta quinta-feira (7). No entanto, após o pedido de prisão temporária, o advogado revelou que o suspeito foi localizado por uma equipe da Polícia Civil no endereço de um parente. “Ele gostaria de se apresentar à autoridade policial, pois não quer fugir da aplicação da Justiça. Nós alinhamos a apresentação. A delegada, porém, ainda não tinha informações que davam conta da concessão do pedido de prisão”, destacou.

O advogado de de André Barboza e Thales Serafim, Cláudio Dalledone Júnior,  informou que “está se atualizando da narrativa acusatória e em breve irá se manifestar trazendo fatos novos e decisivos”.

O advogado Marcelo Fraga, que defende Antônio Henriques dos Santos, informou que, assim que tiver acesso aos autos, irá se manifestar.

Tatiana deixou uma filha – Arquivo pessoal

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Crime

Tatiana Lorenzetti era gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) e foi baleada na cabeça depois de entregar a bolsa para um suspeito, que mesmo sem reação da vítima atirou. O crime aconteceu no dia 28 de dezembro de 2020, quando a mulher saía do banco, na Rua Desembargador Ernani Guaritá Cartaxo, no bairro Capão Raso, em Curitiba.

No local, familiares levantaram a hipótese de um crime passional, tendo em vista a medida protetiva que a gerente tinha contra o ex-marido, Antônio Henrique dos Santos, o Tonhão.

Segundo transcrição telefônica obtida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), e compartilhada com a Delegacia da Mulher, Santos teria encomendado a morte de Tatiana. Para o MP-PR, a troca de mensagens demonstra a “clara intenção” de matar Tatiana para obter a guarda da filha e se tornar controlador de uma possível indenização que a menor é beneficiária, decorrente de seguro de vida.

Tonhão foi preso em flagrante pelo crime, junto com outras duas pessoas suspeitas de envolvimento no caso. Ele é ex-atleta da Seleção Brasileira de Luta Olímpica e chegou a disputar o Mundial do Uzbequistão em 2014.