O advogado do motorista, de 29 anos, preso após atropelar quatro pessoas depois de uma briga generalizada na madrugada desta segunda-feira (29), em frente a uma casa noturna no bairro Batel, em Curitiba, afirmou que não houve tentativa de homicídio. Segundo a defesa, o suspeito também teria sido vítima, após um policial militar à paisana efetuar disparos de arma de fogo durante a confusão.

Após fugir do local do atropelamento, o jovem foi localizado pela Polícia Militar e preso em flagrante. Ele foi autuado pelos crimes de tentativa de homicídio, omissão de socorro, embriaguez ao volante, afastar-se do local do acidente e trafegar em velocidade incompatível com a via.
Em entrevista à Banda B, o advogado Junior Ribeiro afirmou que o motorista optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório e que a defesa aguarda a conclusão da investigação para se manifestar sobre os fatos.
“Ele [suspeito] ficou em silêncio em interrogatório, então vamos aguardar a conclusão da investigação para poder nos manifestar. Ele não relatou para mim o que aconteceu de fato. O que sabemos é o que está sendo noticiado, que houve uma briga envolvendo várias pessoas. Não sabemos se ele participou ou não da confusão. Vamos aguardar a autoridade policial fazer o seu trabalho e, posteriormente, se o Ministério Público irá denunciar por tentativa de homicídio, como vem sendo exposto, ou por um delito de trânsito”
disse Ribeiro.
Questionado sobre a possibilidade de soltura do motorista, o advogado disse acreditar na concessão da liberdade provisória.
“Mesmo havendo uma condenação anterior por tráfico de drogas, ele já cumpriu a pena. Portanto, não há reincidência. Ele não vive do crime e não integra organização criminosa. Não vejo elementos para uma prisão preventiva, nem risco de fuga ou de evasão da responsabilidade. Espero que o juiz tenha a sensatez de conceder a liberdade provisória”
declarou.
Disparos de arma de fogo
Sobre os disparos efetuados por um policial militar à paisana, o advogado afirmou que não há dolo por parte do motorista e que o suspeito também foi vítima da situação.
“Quando não há intenção, não há como falar em arrependimento de algo que não se quis fazer. Ele também foi vítima de disparos de arma de fogo. Não podemos imputar isso a ninguém neste momento, mas ele foi alvo de tiros”
afirmou a defesa.
Segundo o advogado, o motorista não estaria protegido dentro do veículo no momento dos disparos.
“Ninguém está protegido dentro de um carro, a não ser que seja blindado. Ele poderia ter sido vítima de um homicídio consumado. Isso não aconteceu por erro na execução. A informação é de que os disparos teriam sido efetuados para cessar uma agressão em relação a outras vítimas. Vamos aguardar o inquérito policial para analisar se esses disparos foram realizados de forma legítima”
completou Ribeiro.
Um vídeo obtido com exclusividade pela Ric RECORD mostra o momento dos disparos, que ocorreram após o atropelamento. Nas imagens, o policial ordena que o motorista desça do carro. O suspeito não obedece, acelera o veículo e foge. Na sequência, o policial efetua disparos contra o pneu do automóvel.
As investigações da Polícia Civil continuam a fim de esclarecer as circunstâncias do atropelamento e entender o que teria motivado a briga generalizada.