Um grupo de alunas, acompanhadas de pais e mães, protestam na manhã desta sexta-feira (23) em frente ao Colégio Estadual Ângelo Gusso, no bairro Boa Vista, em Curitiba, contra um professor de artes ao qual acusam de ter cometido assédio sexual.

Foto: Djalma Malaquias;/Banda B.
Na manhã de quinta (22), as estudantes e seus responsáveis estiveram no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), para registrar boletins de ocorrência contra ele. Todos foram ouvidos e a polícia investiga o caso. O professor está afastado das atividades na escola, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed). (leia nota oficial ao final)
Uma das estudantes, de 18 anos, bastante abalada, relatou para a reportagem da Banda B que ele a perseguia no intervalo e que a tocava.
“Ele ficava passando a mão no meu rosto, na minha perna, ele não parou quando falei que estava desconfortável. Bem assustador. É algo muito difícil de falar, ninguém costuma acreditar em aluno”,
desabafa.
Uma das mães afirma que soube que os casos envolvendo o professor e alunas da escola teriam iniciado há anos e reclama de falta de apoio.
“Nas redes sociais, tem várias alunas que aconteceu a mesma coisa e o diretor ficou quietinho. Elas procuravam a pedagoga e nunca tiveram apoio. Precisou acontecer um estado grave, como está o estado dessa menina, pra que fizessem alguma coisa”, afirma.
Segundo esta mãe de aluna, a escola não teria tomado providências em anos anteriores.
“Nunca foi chamada uma patrulha escolar. No dia que fomos chamados na escola, perguntamos: Cadê a polícia, se ele está sendo investigado?’. E disseram: ‘Não chamamos polícia’. Isso é caso de polícia. A gente quer justiça. A gente não quer ele dando aula em escola nenhuma. A gente coloca eles aqui achando que estão sendo bem cuidados.”
Um outro pai, que tem uma filha na escola, participou do ato em apoio aos outros alunos e responsáveis. Ele conta que a filha não passou por nenhuma situação, mas presenciou episódios. “Não aconteceu com minha filha, graças a Deus. Mas ela foi aluna dele em 2017 e viu a situação acontecer na frente do banheiro. Ele ficava olhando elas entrarem e saírem. Estou aqui em apoio para que não aconteça com mais pessoas, que a justiça seja tomada e essa pessoa seja punida da forma devida, para proteger os próximos”, diz.
Investigação policial
A Banda B, em contato com a Polícia Civil do Paraná (PCPR) foi informada que, instaurado o inquérito policial, foram iniciadas diligências para apuração do caso. “Por envolver menores de idade, mais informações não serão repassadas”, afirma a polícia, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
O que diz a Secretaria de Educação
Ainda na quinta, a reportagem da Banda B entrou em contato com a Seed, que informou, por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa, que o afastamento do professor será oficializado nesta sexta e que uma sindicância será instaurada para apurar os fatos.
Leia a nota na íntegra:
“Na terça-feira (20), várias alunas e alunos foram na direção do colégio e formalizaram uma denúncia de assédio contra o professor. No mesmo dia, o professor já não deu mais aulas, mas foi visto na instituição pois foi chamado para tomar ciência da denúncia. A direção também convocou os pais dos estudantes para uma reunião na quarta (21), para informá-los sobre a situação, as providências que estavam sendo adotadas, além de orientá-los quanto a uma eventual denúncia em âmbito criminal. A Seed-PR está instaurando uma sindicância para apurar os fatos e o afastamento do profissional deve ser oficializado nesta sexta (23).
Neste ano a Seed-PR lançou a campanha “Assédio Não!” para estimular denúncias de assédio sexual em seus estabelecimentos, pois o ambiente escolar não pode aceitar esse ou qualquer outro tipo de violência.”