Os dois acusados de jogar soda cáustica na jovem Isabelly Aparecida Ferreira Moro, em maio de 2024, serão julgados pelo Tribunal do Júri por decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O crime aconteceu em Jacarezinho, no norte do Estado. A data do julgamento ainda não foi marcada.

Marlon Ferreira Lemes, ex-namorado da vítima, e Débora Aparecida Custódio Ferreira, atual companheira dele, deverão ser julgados por tentativa de feminicídio. Além disso, o juiz entendeu que o crime foi cometido por motivo torpe e que os réus utilizaram meio cruel, além de usarem recurso que dificultou a defesa da vítima.

Na decisão obtida pela Banda B, Marlon aparece como mandante do crime, enquanto Débora foi responsável por atacar a jovem. Isabelly Aparecida foi atingida por soda cáustica nas regiões do rosto e peito, o que gerou e queimaduras de segundo grau na boca, garganta e tronco.

A substância corrosiva, identificada como hidróxido de sódio, causou lesões graves nos lábios e na cavidade oral da jovem, além de provocar uma infecção que exigiu intubação para ventilação mecânica e sedação. Segundo o Ministério Público, Isabelly correu risco de morte e ficou incapacitada para suas atividades habituais por mais de 30 dias.

“O denunciado Marlon Ferreira Lemes planejou o crime e, embora estivesse preso, prestou apoio nos atos preparatórios (autor intelectual), induzindo a coautora e possuindo verdadeiro domínio do fato, enquanto sua convivente Débora Aparecida Custódio Ferreira foi quem efetivamente lançou a substância na face da vítima, cavidade oral e olhos”, diz trecho da denúncia do Ministério Público.

De acordo com o juiz Renato Garcia, o crime só não se consumou porque Isabelly conseguiu fugir após o ataque e pediu ajuda a pessoas que estavam próximas. Ela foi socorrida e levada à Santa Casa de Jacarezinho, onde recebeu atendimento médico de emergência.

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Foto: Reprodução/Câmera de Segurança.

O que dizem as defesas

Em nota, o advogado de Isabelly Aparecida afirmou que “a sentença representa um passo importante no reconhecimento da gravidade da violência contra a mulher no contexto das relações afetivas”.

“A jovem foi vítima de um ataque cruel e premeditado, que poderia ter resultado em sua morte. O julgamento reafirma a necessidade de vigilância e rigor no enfrentamento da violência de gênero, especialmente quando há histórico de agressões e controle psicológico por parte do agressor”, diz trecho da nota.

A defesa de Débora “manifesta a sua irresignação com a decisão”. “O material probatório é robusto e vai contrário à decisão. Com toda a certeza, manejaremos o recurso cabível ao Tribunal de Justiça do Paraná. Mostraremos a toda a população de Jacarezinho que os fatos não se desenham como foram descritos na acusação, que só serviu para a autopromoção dos que acusam”, destaca os advogados Thiago Rodrigues e Jean Campos.

Os advogados de Marlon não foram localizados.

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