O trio preso por aliciamento e abuso sexual infantil no último sábado (15), em Curitiba, usava a relação das vítimas com o futebol para se aproximar das crianças, segundo apontam as investigações. As revelações foram feitas nesta segunda-feira (17) pelo delegado Rodrigo Rederde, do Nucria.
De acordo com a Polícia Civil, dois dos homens têm antecedentes por estupro de vulnerável e foram presos em flagrante depois de serem encontrados dormindo ao lado de um menino de 8 anos e de um adolescente de 13, em uma casa no bairro Boa Vista. O terceiro suspeito, responsável por intermediar o contato das crianças com os dois abusadores, foi preso temporariamente.

A investigação começou após o setor de inteligência identificar que o grupo estaria recrutando vítimas por meio de uma escolinha de futebol no bairro Barreirinha. Um dos investigados atuava justamente nessa ponte entre a escolinha e os dois abusadores, levando as crianças para passar fins de semana com eles.
“Conseguimos identificar três agentes envolvidos. No sábado, deflagramos essa operação de busca e apreensão e identificamos também uma situação de flagrante. Dois desses agentes envolvidos estavam dormindo com duas crianças”, explicou o delegado.
Além das duas vítimas encontradas na casa com os criminosos, a Polícia Civil conseguiu identificar outras três crianças. “Outras crianças também estavam ali nesse contexto de finais de semana com esses agentes. Uma das crianças, de oito anos de idade, confirmou todos esses atos sexuais que eram cometidos com ele por esses dois agentes presos em flagrante”, acrescentou Rederde.
Em meio ao cumprimento dos mandados, os investigadores também se depararam com uma vítima que não estava identificada durante a apuração inicial. “Nós não sabíamos dessa outra criança. A investigação continua para saber se existem mais vítimas ou outros envolvidos”, disse o delegado.

Embora todas as crianças tivessem algum tipo de relação com o futebol, Rederde explicou que nem todas estavam inscritas na escolinha. Em um dos casos, o irmão mais novo da vítima frequentava os treinos, enquanto o mais velho – também abusado – apenas acompanhava as visitas à casa dos investigados.
A polícia confirmou que pelo menos uma das mães recebia dinheiro e cestas básicas dos suspeitos. A investigação agora tenta esclarecer se outras pessoas estariam atuando para angariar crianças de famílias em vulnerabilidade.
Na operação, os policiais apreenderam pendrives, CDs, notebooks e outros dispositivos eletrônicos. A perícia ainda está em andamento, mas há indícios de que o grupo produzia vídeos dos abusos. “Há a probabilidade de que produziam conteúdo. Uma das crianças confirmou, inclusive, que foi filmada”, concluiu o delegado.
Os suspeitos presos não tiveram as identidades reveladas. Um deles, de 47 anos, já havia sido preso em 2013 por crimes semelhantes. À época, o atual comparsa dele, de 27 anos, teria sido uma das vítimas. Agora, eles atuavam em parceria no aliciamento e na prática criminosa.