Um dia depois de o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar um acordo para comprar 46 milhões de doses da Coronavac, imunização que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e que será produzida pelo Instituto Butantan (SP), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que descartou a compra de vacinas pelo governo até que haja comprovação de eficácia.

“Toda e qualquer vacina está descartada por enquanto. A vacina precisa de comprovação científica para ser usada, não é como a hidroxicloroquina.”

Em maio, porém, o próprio Bolsonaro afirmou em rede social que o uso da cloroquina contra a Covid-19 não tinha evidência científica, mas que ela continuava sendo usada e monitorada.

A declaração desta quarta (21) foi dada durante visita às instalações do Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP) em Iperó (a 126 km da capital paulista). Ele estava acompanhado pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

Na terça (20), em encontro virtual com governadores, Pazuello disse que “a vacina do Butantan será a vacina do Brasil”. “O Butantan já é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, produz 75% das vacinas que nós compramos.”

Foto: Marcos Corrêa/PR

Nesta quarta (21), porém, Bolsonaro atribuiu a declaração à má-fé do governador de São Paulo, João Doria, que participou da reunião. Disse que o valor anunciado é “vultoso” e que está afinado com o ministério da Saúde “na busca de uma vacina confiável “.

O presidente, no entanto, afirmou também ter mandado cancelar um protocolo de intenções do ministério que falava sobre a compra da vacina. “Não abro mão da minha autoridade.”

A Folha mostrou que o ministro Eduardo Pazuello enviou no dia 19 de outubro ao diretor-geral do Instituto Butantan, Dimas Covas, um ofício em que confirmava a compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

“Fora isso é especulação e jogo político”, disse Bolsonaro. “A população já está inalada com discursos de terrorismo desde o início da pandemia. Perseguimos a vacina, lá atrás destinamos recursos a Oxford, não para comprar vacina, mas para participar de pesquisa e desenvolvimento com uma cota de vacina para nós. Nada será despendido agora com uma vacina chinesa que eu desconheço.”

Anteriormente, o presidente já havia criticado a Coronavac ao atacar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Os dois travam um debate público sobre a obrigatoriedade de tomá-la.

Atualmente, o Brasil tem quatro testes de vacinas em andamento. Além da Sinovac, há uma desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, e que será produzida pela Fiocruz.

A Anvisa também já deu aval a estudos clínicos de uma vacina em desenvolvimento pela Pfizer e de outra da Janssen, braço farmacêutico da Johnson&Johnson.