Um editorial da revista médica americana The New England Journal of Medicine elencou seis passos para vencer a guerra contra o coronavírus nos EUA em dez semanas.

Assinado pelo médico Harvey V. Fineberg, que foi reitor da Escola de Saúde Pública de Harvard por 13 anos e dedicou sua carreira às políticas de saúde e à tomada de decisões na área médica, o texto cita os debates sobre os efeitos da pandemia na saúde e na economia mas diz que há uma opção dominante que simultaneamente limitará as mortes e fará a economia girar novamente de uma forma sustentável.

“Essa escolha começa com uma campanha enérgica e concentrada em erradicar a Covid-19 nos Estados Unidos. O objetivo não é achatar a curva, mas, sim, esmagar a curva. A China fez isso em Wuhan. Nós podemos fazer isso neste país em dez semanas.”

Segundo o texto, com conhecimento suficiente sobre o inimigo -onde ele se esconde, quão rapidamente se move, onde ele é mais ameaçador e quais são suas vulnerabilidades- será possível reenergizar a economia sem colocar vidas adicionais em risco.

Foto Ag. Brasil

Veja abaixo um resumo dos seis passos citados no editorial para derrotar a Covid-19 até o início de junho.

1. Estabeleça um comando unificado

O presidente deve surpreender seus críticos e apontar um comandante que responda diretamente a ele. Essa pessoa teria a confiança do presidente e deveria ganhar a confiança do povo americano. Ele não seria um coordenador das diferentes agências americanas. O comandante teria o poder e autoridade para mobilizar qualquer recurso necessário para ganhar a guerra e pedir para cada governador apontar um comandante estadual com autoridade similar.

2. Disponibilize milhões de testes diagnósticos

Nem todo mundo precisa fazer o teste, mas todo mundo com sintoma, sim. O país precisa se preparar para fazer milhões de testes em duas semanas. Essa foi a chave do sucesso da Coreia do Sul. Sem testes não podemos traçar o escopo da epidemia. Use maneiras criativas para mobilizar os laboratórios de pesquisa nacionais a oferecer testes e encaminhe pessoas com testes positivos para avaliações médicas.

3. Forneça equipamentos de proteção individual e equipamentos para o tratamento de pacientes graves, como ventiladores

Oferecer EPIs (equipamentos de proteção individual) para cada profissional da saúde na linha de frente do cuidado dos pacientes e na testagem deveria ser o padrão. Não mandaríamos soldados para a guerra sem uniforme adequado; profissionais de saúde nesta guerra não merecem menos que isso. O mesmo serve para ventiladores e outros equipamentos de que os hospitais mais precisam.

4. Separe a população em cinco grupos

Precisamos saber 1) quem está infectado, 2) quem está possivelmente infectado (pessoas com sintomas sugestivos de Covid mas com testes negativos), 3) quem foi exposto ao vírus, 4) quem não sabe se foi exposto ou infectado, 5) quem se recuperou da infecção e está imune.

Análises de sintomas e testes vão ajudar a identificar quem pertence aos quatro primeiros grupos. Crie enfermarias em centros de convenção vazios para os casos leves e moderados e interne pessoas em estado grave ou com maior risco de agravarem; o isolamento para todos os pacientes vai reduzir a transmissão para familiares. Transforme hotéis vazios em centros de quarentena para abrigar os que se expuseram ao vírus e os separe da população por duas semanas.

Para identificar o quinto grupo é preciso desenvolver testes com base em anticorpos, o que pode mudar o cenário na hora de restabelecer a economia de forma rápida e segura.

5. Inspire e mobilize o público

Todos têm que fazer sua parte, e esforços em pesquisas, testes, mídia social, inteligência artificial devem ser intensificados.

Depois que todos os profissionais tiverem as máscaras que necessitam, os Correios e empresas privadas poderiam entregar máscaras e álcool em gel para todas as casas americanas. Se todos usarem máscaras ao saírem, os pré-sintomáticos e os infectados terão menos risco de passar a infecção aos outros, e não haverá estigma.

6. Aprenda em tempo real com base em pesquisas

Os cuidados clínicos melhorariam muito com tratamentos antivirais eficazes, e toda opção plausível deve ser investigada. Médicos precisam ter parâmetros melhores das condições dos pacientes para saber quem pode ter o quadro agravado mais rapidamente. As decisões sobre a reabertura devem ser tomadas com base em ciência e em dados sobre quantos foram infectados e se estão imunes.

Se o país agir imediatamente, poderá declarar vitória contra o coronavírus no aniversário do Dia D, em 6 de junho de 2020, diz o editorial.