O Paraná está entre os quatro primeiros estados do Brasil a iniciar a transição para um tratamento mais moderno contra o diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde comunicou nesta sexta-feira (6) que começou a substituir, de forma gradual, a insulina NPH pela insulina glargina, que tem ação prolongada e aplicação apenas uma vez ao dia.

Além do Paraná, o projeto-piloto também será realizado no Amapá, Paraíba e Distrito Federal. A primeira fase vai priorizar crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com mais de 80 anos com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas nesse início.
A insulina glargina é considerada mais moderna e pode facilitar a rotina dos pacientes, já que mantém o controle da glicose por até 24 horas, reduzindo a necessidade de múltiplas aplicações diárias.
Segundo o Ministério da Saúde, a mudança representa um avanço no cuidado com pessoas que vivem com diabetes no país. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a medida também fortalece a produção nacional de medicamentos.
“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto do fortalecimento do complexo industrial da saúde. Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país, o que traz mais segurança para os pacientes”
afirmou o ministro.
Tratamento mais caro na rede privada
Na rede privada, o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 para dois meses de uso. Com a ampliação no SUS, o medicamento passa a ser ofertado gratuitamente para pacientes que se enquadram nos critérios da primeira fase.
A transição será feita de forma gradual, com avaliação individual de cada paciente. No Paraná e nos demais estados participantes, profissionais da Atenção Primária à Saúde estão passando por treinamentos para orientar sobre o uso correto da nova insulina.
Após os primeiros meses, o Ministério da Saúde deve avaliar os resultados para definir um cronograma de expansão para os demais estados do país.
Produção nacional e autonomia do SUS
A ampliação do uso da insulina glargina no SUS faz parte de uma parceria entre a Fiocruz, a empresa brasileira Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, aumentando a autonomia do país na produção de insulina.
Somente em 2025, mais de 6 milhões de unidades do medicamento foram entregues ao SUS, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é que, até o fim de 2026, a produção chegue a até 36 milhões de unidades.
O Ministério da Saúde também informou que segue investindo na produção nacional das insulinas NPH e Regular, para evitar problemas de desabastecimento diante da escassez global do insumo.
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