Da redação com AEN

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) vai produzir o medicamento biológico Bevacizumabe, de última geração, para o combate ao câncer e a degeneração macular (perda de visão) relativa à idade. O produto usa o princípio ativo do Avastin, da Roche, que teve a patente expirada em 2012. A produção do medicamento no Paraná foi viabilizada durante viagem da Tecpar à Rússia, com o objetivo de firmar o acorde de cooperação entre o instituto e a Biocad Brazil, companhia de biotecnologia.

Os encontros aconteceram em duas cidades da Rússia – São Petersburgo e Moscou – com visitas às instalações da Biocad. O contato permitiu a transferência de tecnologia, desde capacitação de pessoal até a produção no laboratório do Tecpar, que será instalado no parque tecnológico de Maringá.

“O Tecpar passa agora para um novo estágio em sua história. Conhecido e respeitado pelo desenvolvimento e produção de imunobiológicos, agora passa também a integrar o rol dos produtores de biológicos de última geração. É um grande desafio que teremos pela frente, contribuindo para melhorar a saúde pública no país”, comenta Júlio Felix, diretor-presidente do Tecpar, que integrou a missão paranaense à Rússia.

A chamada Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), organizada pelas duas partes, tem o objetivo de reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos, através da transferência de tecnologia do processo produtivo de medicamentos que já estão em desenvolvimento pela iniciativa privada. O prazo determinado para uma PDP é de cinco anos, período em que o produto deve ser registrado no Brasil e ter as etapas de produção iniciadas.

Pelo prazo oficial do compromisso firmado entre o Tecpar e a Biocad, os primeiros produtos do novo laboratório começarão a ser entregues em 2017.

Biológicos

Os produtos biológicos são mais eficazes em relação aos medicamentos tradicionais de síntese química, porque aumentam as possibilidades de sucesso no tratamento, principalmente para doenças crônicas. Eles são feitos a partir de material vivo e manufaturados por meio de processos que envolvem medicina personalizada e biologia molecular.

Atualmente os biológicos consomem 43% dos recursos do Ministério da Saúde com medicamentos – cerca de R$ 4 bilhões por ano, apesar de representarem 5% da quantidade adquirida.

O Brasil já produz hoje, via transferência de tecnologia, 14 biológicos para doenças como hemofilia, esclerose múltipla, artrite reumatoide e diabetes. Até 2017, de acordo com o Ministério, estes produtos terão fabricação 100% nacional.

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