A suspensão da produção das vacinas da farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, anunciada nesta terça-feira (8), pode ter assustado várias pessoas no Brasil. A medida foi tomada após um paciente, que recebeu uma dose, apresentar os sintomas da doença Mielite transversa que resulta em uma síndrome inflamatória na medula espinhal. No entanto, segundo a médica infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi, esta pausa é normal, e comum, em testes de vacinas na Fase 3 – quando um número de maior de pessoas são imunizadas. Em entrevista à Banda B, a médica ressaltou que a ação não é motivo para as pessoas ficarem em alerta.

“Apesar de toda a urgência para o controle da pandemia em todo o mundo, eu acredito que não adianta ter muita pressa para a liberação de vacinas. Isto porque não podemos pular etapas importantes que garantem a eficácia e a segurança do produto. A reação adversa é algo que pode acontecer em qualquer vacina que esteja em processo de Fase 3 de aplicação. Por isto é necessário verificar se esta reação é relacionada a vacina ou se foi alguma coincidência”, pontuou.

 

 

A infectologista fez questão de diferenciar que, embora a vacina possa dar alguma reação adversa, isto não se equivale ao risco de se contrair a doença e ter o caso agravado com ela. “Todas as vacinas podem dar reações graves. Só que as chances disto acontecer é infinitamente menor do que a pessoa adoecer pelo quadro grave da própria doença”, pontuou.

Cautela

Raquel ressaltou que apesar de algumas vacinas permitirem a produção de anticorpos, e estarem com os estudos avançados, ainda não é possível afirmar que elas serão o suficiente para acabar com a pandemia. Ela lembrou do vírus HIV para explicar o raciocínio e citar que, até os dias presentes, ele não tem nenhum imunizante.

“Várias vacinas foram testadas contra o vírus HIV. As vacinas mostraram que produziam anticorpos, mas que não conseguiam proteger contra a doença. Então, a gente tem que aguardar, porque temos que ver se a vacina realmente não é só produção de anticorpos, e sim, se ela realmente irá se proteger contra a doença”, lembrou.

Otimismo

Por fim, a infectologista, terminou dizendo que está otimista em relação a produção de uma vacina eficaz contra o coronavírus, embora o momento seja de espera, independente da nacionalidade da vacina.

“Estou bastante otimista. Até porque nós temos várias tecnologias entregadas em vacinas em Fase 03. O trabalho cientifico do mundo está na busca de uma vacina, então devemos ter mais. Alguma vacina vai dar certo. Agora, não é para este ano. É até imprudente falar em vacinação em massa para este ano e inicio do ano que vem”, concluiu Raquel.

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