Os gases fazem parte do funcionamento natural do organismo, resultado da fermentação dos alimentos durante a digestão. Eles podem ser eliminados tanto pela boca, nos arrotos, quanto pelo ânus, na forma de flatos. Em condições normais, não representam problema. No entanto, quando surgem em excesso e acompanhados de sintomas, merecem atenção.

Quadros com barriga inchada, dores no abdômen ou até no tórax, sensação de pressão, azia e falta de ar podem estar ligados ao acúmulo exagerado de gases. Em alguns casos, o desconforto é tão intenso que pode ser confundido com dor cardíaca.
Além disso, sinais como prisão de ventre, dor nas costas, mal-estar frequente e alterações intestinais também entram no radar. Dados do estudo Lewis Katz School of Medicine at Temple University indicam que a maior parte dos gases — cerca de 75% — é produzida pela ação de bactérias no intestino grosso, que fermentam os alimentos ingeridos.
Quando os sintomas exigem investigação
Alguns sinais são considerados de alerta e indicam a necessidade de procurar um médico. Entre eles estão:
- Dor abdominal persistente
- Presença de sangue nas fezes
- Mudanças na cor ou frequência das evacuações
- Perda de peso sem explicação
- Náuseas e vômitos recorrentes
- Dor no peito constante
Nesses casos, exames como a endoscopia ou a colonoscopia podem ser indicados para identificar a causa do problema.
Frequência considerada normal
Em média, uma pessoa elimina gases entre 13 e 21 vezes por dia. Quando esse número ultrapassa o padrão e vem acompanhado de desconforto, pode ser caracterizado como flatulência excessiva.
Entre os hábitos que contribuem para o aumento dos gases estão comer muito rápido, falar durante as refeições, mascar chicletes, fumar e consumir bebidas gaseificadas.
Segundo a gastroenterologista Aline Casado, o ar ingerido pode se acumular no estômago e, quando não é eliminado por arrotos, segue pelo sistema digestivo até ser expelido como gases intestinais.
“Os gases se acumulam no estômago e são eliminados por meio da eructação. Quando isso não ocorre, são transportados até o intestino delgado, onde são parcialmente absorvidos, e o restante se dirige ao intestino grosso, sendo eliminados pelo ânus, na forma de flatos”
explica a médica.
Alimentação e outras causas
A dieta tem impacto direto na produção de gases. Alimentos mais fermentáveis costumam intensificar o problema, como:
- Feijão, lentilha e grão-de-bico
- Brócolis, couve-flor e repolho
- Leite e derivados (lactose)
- Batata, trigo e cereais
- Alimentos ricos em fibras
- Produtos com sorbitol e frutose
Além disso, condições de saúde podem estar por trás do excesso de gases, como intolerâncias alimentares, doença celíaca, infecções intestinais, síndrome do intestino irritável, constipação e intoxicação alimentar.
A chamada aerofagia — ingestão excessiva de ar — também é comum em pessoas que falam muito no trabalho.
Medicamentos também influenciam no excesso de gases
O uso frequente de antiácidos e antibióticos pode alterar a flora intestinal e favorecer o aumento da produção de gases, explica a médica de família Clarisse Bezerra. Isso acontece porque esses medicamentos interferem no equilíbrio das bactérias responsáveis pela digestão.
Apesar de comum, o excesso de gases não deve ser ignorado quando interfere na qualidade de vida ou aparece com outros sintomas. Mudanças na alimentação e nos hábitos podem ajudar, mas a avaliação médica é fundamental para descartar problemas mais sérios.
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