Os gases fazem parte do funcionamento natural do organismo, resultado da fermentação dos alimentos durante a digestão. Eles podem ser eliminados tanto pela boca, nos arrotos, quanto pelo ânus, na forma de flatos. Em condições normais, não representam problema. No entanto, quando surgem em excesso e acompanhados de sintomas, merecem atenção.

Homem com camiseta branca segura o abdômen com as mãos, demonstrando desconforto abdominal por excesso de gases
Excesso de gases pode causar dor abdominal, inchaço e até desconforto no peito. Foto ilustrativa: Divulgação/ Pexels.

Quadros com barriga inchada, dores no abdômen ou até no tórax, sensação de pressão, azia e falta de ar podem estar ligados ao acúmulo exagerado de gases. Em alguns casos, o desconforto é tão intenso que pode ser confundido com dor cardíaca.

Além disso, sinais como prisão de ventre, dor nas costas, mal-estar frequente e alterações intestinais também entram no radar. Dados do estudo Lewis Katz School of Medicine at Temple University indicam que a maior parte dos gases — cerca de 75% — é produzida pela ação de bactérias no intestino grosso, que fermentam os alimentos ingeridos.

Quando os sintomas exigem investigação

Alguns sinais são considerados de alerta e indicam a necessidade de procurar um médico. Entre eles estão:

  • Dor abdominal persistente
  • Presença de sangue nas fezes
  • Mudanças na cor ou frequência das evacuações
  • Perda de peso sem explicação
  • Náuseas e vômitos recorrentes
  • Dor no peito constante

Nesses casos, exames como a endoscopia ou a colonoscopia podem ser indicados para identificar a causa do problema.

Frequência considerada normal

Em média, uma pessoa elimina gases entre 13 e 21 vezes por dia. Quando esse número ultrapassa o padrão e vem acompanhado de desconforto, pode ser caracterizado como flatulência excessiva.

Entre os hábitos que contribuem para o aumento dos gases estão comer muito rápido, falar durante as refeições, mascar chicletes, fumar e consumir bebidas gaseificadas.

Segundo a gastroenterologista Aline Casado, o ar ingerido pode se acumular no estômago e, quando não é eliminado por arrotos, segue pelo sistema digestivo até ser expelido como gases intestinais.

“Os gases se acumulam no estômago e são eliminados por meio da eructação. Quando isso não ocorre, são transportados até o intestino delgado, onde são parcialmente absorvidos, e o restante se dirige ao intestino grosso, sendo eliminados pelo ânus, na forma de flatos”

explica a médica.

Alimentação e outras causas

A dieta tem impacto direto na produção de gases. Alimentos mais fermentáveis costumam intensificar o problema, como:

  • Feijão, lentilha e grão-de-bico
  • Brócolis, couve-flor e repolho
  • Leite e derivados (lactose)
  • Batata, trigo e cereais
  • Alimentos ricos em fibras
  • Produtos com sorbitol e frutose

Além disso, condições de saúde podem estar por trás do excesso de gases, como intolerâncias alimentares, doença celíaca, infecções intestinais, síndrome do intestino irritável, constipação e intoxicação alimentar.

A chamada aerofagia — ingestão excessiva de ar — também é comum em pessoas que falam muito no trabalho.

Medicamentos também influenciam no excesso de gases

O uso frequente de antiácidos e antibióticos pode alterar a flora intestinal e favorecer o aumento da produção de gases, explica a médica de família Clarisse Bezerra. Isso acontece porque esses medicamentos interferem no equilíbrio das bactérias responsáveis pela digestão.

Apesar de comum, o excesso de gases não deve ser ignorado quando interfere na qualidade de vida ou aparece com outros sintomas. Mudanças na alimentação e nos hábitos podem ajudar, mas a avaliação médica é fundamental para descartar problemas mais sérios.

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