Ela tem 21 anos e uma história de vida repleta de experiências. Algumas de ‘dor insuportável’, outras de superação dos próprios limites. A estudante de psicologia Júlia Mussak viveu o drama de tentar tirar a própria vida por quatro vezes quando tinha 15 anos. Sofreu, mas também se superou ao conseguir falar do assunto e até escrever um livro: “Eu e Meu Monstro”, que ela caba de lançar. Júlia falou de suas experiências ao vivo, em live da Banda B, nesta quinta-feira (17), com a jornalista Denise Mello. (Assista abaixo)

Denise Mello entrevista Júlia Mussak

“Acredito que é importante entender que a intenção suicida é o último passo de uma pessoa. É quando o grito de socorro não foi ouvido. Depois de sentir muita dor por muito tempo, de agonizar, quando a pessoa não aguenta mais, a pessoa recorre ao suicídio, que muitas vezes pode parecer um alívio para uma pessoa que está sofrendo uma dor da alma, a “dor invisível”, como eu costumo dizer”, disse.

Júlia fala que, aos 15 anos, ela sofria muito e não conseguia explicar o que sentia.

“Aos 15 anos, foi a gota d’água para mim com essa dor invisível, que eu não conseguia explicar o que era. Eu carregava isso desde sempre, desde pequenininha, era algo muito sofrido. Não esperamos que uma criança sofra com algo desse tipo, mas infelizmente é muito normal, e é necessário quebrar o tabu, falar sobre isso. Quanto antes a gente percebe isso na criança, no jovem, no adulto, antes conseguimos procurar ajuda e tentar evitar o extremo que é a intenção suicida”.

“Quando eu tinha 15 anos, estava no meu limite. Não tinha muito controle dos meus pensamentos, era um curso incontrolável, até escrevi isso no meu livro. Eu não tinha como parar, queria que parasse, era uma coisa insuportável. Era uma dor que me incendiava de dentro para fora e eu não sabia como fazer isso parar. Naquela época, achei que a saída que me aliviaria seria o suicídio”, relata.

Júlia Mussak – Instagram

Numa entrega impressionante, Júlia fala da dor de conviver com o próprio corpo, da ajuda profissional e da família e da ideia de escrever um livro inventando um personagem para sua dor: O Monstro.

“A dica que dou é que quem passa pelo mesmo que eu, e não posso dizer que estou curada, mas sim num processo de cura, com momentos diferentes, recaídas. Mas aprendi a lidar e conviver com meu monstro. Acho que muitas pessoas que passam pelo que eu passo têm outras formas possíveis de lidar com os monstros delas, por meio de artes, esportes, enfim. Cada um tem um jeito de extravasar, digamos assim. Mas acho que terapia e acompanhamento médico é essencial”.

 

Livro de Júlia Mussak – “Eu e Meu Monstro’

A ideia do livro e como comprar

“Escrevi o livro porque acredito que era meu propósito. Tive a oportunidade de escrever e de ter criado um personagem tão representativo, como é o monstro, que é uma ponte de identificação entre a minha história e a de tantas outras pessoas. Também acho que pessoas que não fazem ideia do que eu e outras pessoas com doenças mentais passam, elas podem entender do que estou falando, como é essa doença, como funciona.
O propósito é conscientizar e criar pontes de identificação. Fico lisonjeada de ter esse propósito na terra, por assim dizer, e espero que o livro tenha um alcance muito grande. Espero também que quem tiver acesso e precisar falar comigo sobre qualquer coisa relacionada, estarei sempre disponível. É para isso que estou aqui” .

O livro de Júlia  “Eu e Meu Monstro” está disponível pelo Mercado Livre. Para comprar, clique AQUI

No Instagram @jmussak você tem todas as informações sobre ela com lançamentos e lives.

Setembro Amarelo

No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. No mundo, há uma tentativa a cada três segundos e um suicídio a cada 40 segundos. No total, chega-se a 1 milhão de suicídios no planeta. Provocar o fim da própria vida está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

Em um esforço para mudar esses números, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que a data de 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Há quatro anos a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), promove a campanha nacional Setembro Amarelo.

Assista à entrevista na íntegra: