Muitos são os mitos que cercam o aleitamento e levam mães a desistirem de amamentar seus filhos. O formato do peito e a quantidade de leite produzido estão no topo dos problemas citados por muitas mães ao desmamarem de forma precoce.

Especialistas em amamentação defendem que a oferta de leite deve ser livre, longe de horários rígidos. Quanto mais oferecer, mais o corpo produzirá. Além disso, o bebê tem uma grande necessidade de sucção e precisa ficar no peito da mãe, mesmo sem mamar -o que as tias chamam de “chupetar”.

 

Foto: (Elza Fiuza/Agência Brasil)

 

Na verdade, essa é a sucção não nutritiva, momento que o bebê está plugado na mãe, mas sem sugar. Ao retirá-lo, geralmente, a mãe ouve um chorinho de “quero mais”. É nesse momento em que o bebê também se sente seguro e acalentado.

Vilã da amamentação, a confusão de bicos é causada pelo uso de chupetas e mamadeiras. Por requerer menos esforço, a mamadeira deixa de estimular os músculos da face e faz com que o bebê se interesse menos pelo peito.

Todos esses temas estão presentes no livro “Tratado do Especialista em Cuidado Materno Infantil com Enfoque em Amamentação”, da consultora internacional de amamentação Tatiana Vargas. A especialista lançará o material nesta quarta-feira (12), durante o Segundo Congresso Mame Bem, em Belo Horizonte, (MG).

Além da amamentação, o livro também aborda blues puerperal, depressão pós-parto, exterogestação, mudanças físicas, hormonais e psíquicas após a maternidade.

Pergunta – As mulheres, hoje, conseguem se informar mais e até contestar médicos contrários à amamentação. Como você avalia esse empoderamento feminino?

Tatiana Vargas – Hoje estamos vivendo uma grande mudança, uma grande transformação no modelo de assistência no cuidado materno infantil e nas práticas de parto e de amamentação. Mas a gente sabe que tem alguns profissionais que se acomodam, que não se atualizam. As mães têm buscado se informar, buscado as evidências científicas mais recentes sobre o melhor tipo de assistência e tem realmente discutido, perguntado aos profissionais de saúde e manifestado seu desejo real e as possibilidades seguras de fazerem cumprir esse objetivo. Quando a gente fala dessa mudança de assistência e de paradigmas de parto e amamentação, ele vai partir do empoderamento feminino. Mulheres informadas, com informação de qualidade, com suporte, com segurança vai fazer com que elas realmente busquem profissionais que possam auxiliá-las. Em junho vamos realizar o Congresso Mame Bem, que é voltado para profissionais de saúde e para qualquer pessoa interessada em saber mais em aleitamento justamente para trazer mais informações para gestantes e mães que querem ter mais conhecimento sobre parto, amamentação, desmame, introdução alimentar e criação respeitosa dos filhos.

Apesar das muitas informações que temos, não é raro mulheres sofrerem preconceito na rua por amamentar e ainda há quem ache o ato “nojento”. Como e quando isso mudará?

TV – Infelizmente ainda há mulheres sendo discriminadas, com vergonha de amamentar em público. Tanto que vários movimentos foram criados para serem feitas leis que protejam essas mulheres e deixem claro que amamentação é algo natural, que a mulher pode fazer isso de maneira segura, protegida e feliz. A legislação está aí para ajudar, mas a gente luta para que não precise de lei para que a mulher possa sentir segura, queira e se sinta à vontade em fazer isso e que saiba que é algo natural amamentar o seu filho.

Na sua percepção, os hospitais ainda falham muito na hora dourada?

TV – A hora de ouro ou hora dourada é um momento muito importante para o início da amamentação e na continuidade do aleitamento materno. Com o bebê no colo, pele a pele, auxilia muito o tempo da descida do leite. Em muitos hospitais é difícil atingir esse objetivo, que é um dos passos da iniciativa Hospital Amigo da Criança. Isso acontece por conta das práticas atuais de parto pois muitas vezes a mulher vai para a cesárea e tem mais dificuldade de postura e de profissionais para auxiliá-la a colocar o bebê para mamar na primeira hora de vida. A hora dourada deveria acontecer sempre que o bebê nasce saudável, independente da via de parto.

Como uma mãe consegue driblar tamanha oferta que parecem ser boas, mas que no fundo prejudicam a amamentação?

TV – Há evidências científicas fortes que mostram como o uso de bicos artificiais, uso de mamadeira, uso precoce de fórmulas sem ter indicação clínica real e verdadeira podem impactar nas práticas de aleitamento materno. Todos que lutam pelo aleitamento materno tentam proteger e o governo tem, inclusive, a NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactantes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras) que tenta proteger o consumidor de não ser tanto exposto a esses produtos. A gente sofre uma influência grande da mídia e o pós-parto é um momento de imensa fragilidade e essa mulher pode ser influenciada pela mídia, por alguns profissionais para usar aparatos e alimentos que não favorecem o aleitamento materno.

“TRATADO ESPECIALISTA EM CUIDADO MATERNO INFANTIL COM ENFOQUE EM AMAMENTAÇÃO”
Autora: Tatiana Vargas
Ilustração: Paula Beltrão
Formato: 456 páginas
Valor unitário: R$ 310 (no congresso será vendido por R$ 250)