Até esta quinta-feira (19), Curitiba registra 14 casos de sarampo no município neste ano – e oito deles são novos. O boletim da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), divulgado nesta quinta-feira, traz a confirmação de um novo caso de sarampo em Curitiba – as informações do boletim, porém, são referentes até a data de sábado (14). Após o fechamento do boletim da Sesa, entretanto, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba recebeu a confirmação de exames de outros sete casos.

Foto: Reprodução AEN

Do total de 14 confirmados, nove casos são importados (sete de São Paulo, um de Santa Catarina e um de Sergipe/Alagoas) e em cinco casos a transmissão foi secundária (quando uma pessoa com caso importado transmite para outra que não viajou). A idade mediana dos pacientes é 24 anos.

Além dos casos confirmados, a SMS investiga, em parceria com a Sesa, cerca de cem casos suspeitos da doença no município – grande parte dos casos só pode ser descartada ou confirmada, após a realização de segunda coleta de exame, após 15 dias.

Outros estados

As ocorrências em Curitiba e no Paraná estão ligadas ao retorno do sarampo em algumas regiões do país, principalmente ao estado de São Paulo, que vive um surto da doença, após o desembarque de viajantes da Europa e Ásia com o vírus.

Em São Paulo, já foram registrados, até o momento, neste ano, 4.299 casos confirmados de sarampo, 2.397 só na capital. Já há casos de sarampo em 16 estados brasileiros este ano.

“O sarampo é uma doença altamente contagiosa, mais que a gripe, por isso o alerta das autoridades para que a população mantenha a vacinação em dia”, explica a médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Marion Burger.

Informações para medidas de bloqueio

De acordo com Marion, assim que os casos suspeitos são comunicados à Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, medidas de bloqueio são desencadeadas imediatamente, com a vacinação preventiva de centenas de pessoas que tiveram contato com os pacientes (em ambiente de trabalho, estudo, lazer, família e serviços de saúde).

A médica infectologista ressalta, porém, que o sucesso dessas medidas de bloqueio dependem exclusivamente da qualidade das informações fornecidas pelos pacientes com suspeita da doença.

“Reforçamos a responsabilidade de todos com a saúde pública em fornecer as informações necessárias para realizarmos as medidas de bloqueio”, alerta Marion.

Segundo ela, os pacientes com suspeita da doença devem fornecer aos serviços de saúde em que são atendidos todas as informações possíveis sobre os contatos que tiveram, sem omissões, de qualquer natureza. Os serviços de saúde, então, realizam a notificação obrigatória à secretaria. “Nós trabalhamos, então, em cima dos dados disponibilizados pelos pacientes com suspeita da doença”, explica Marion.

Caso as informações sejam repassadas de maneira falha ou incompleta, corre-se o risco de que pacientes que contraíram a doença fora de Curitiba venham a transmitir o sarampo dentro do município, aumentando as chances de surto na capital paranaense.

Os canais de contato com a SMS para os serviços de saúde notificarem casos suspeitos, assim como o fluxograma de atendimento do sarampo, tanto para os serviços públicos quanto para os particulares, encontram-se neste link.

Esquema vacinal

De acordo com Marion, além de informar corretamente os serviços de saúde sobre os seus contatos, em caso de suspeita da doença, é de responsabilidade de cada cidadão manter a sua vacinação em dia. “A vacina não protege apenas o indivíduo. Uma alta cobertura da vacina no município ajuda na proteção da população como um todo”, diz.

Crianças, adolescentes e adultos de até 29 anos devem ter duas doses da vacina contra o sarampo, feitas após um ano de idade. Adultos de 30 a 49 anos devem ter pelo menos um dose, feita após um ano de idade.

Desde o dia 22 de agosto, o Ministério da Saúde também autorizou uma dose extra para bebês entre 6 a 11 meses. Essa dose promove imunidade temporária, sendo necessário, após um ano, realizar as vacinas previstas no calendário de rotina da criança.

Viajantes também são orientados pela SMS, independentemente da idade, a procurar uma unidade de saúde antes de se deslocar para área de surto, para avaliar a necessidade de se vacinar ou não.

A vacina é contraindicada para menores de seis meses, gestantes, pacientes imunodeprimidos ou com histórico de reação alérgica grave, após dose prévia ou após contato com as substâncias que compõem a vacina. Recomenda-se também um intervalo de 30 dias após a vacina para as mulheres tentarem engravidar.

Mais informações sobre o esquema vacinal e sobre a doença podem ser obtidas pelo whats app da Prefeitura, pelo telefone (41) 99876-2903