Crianças com deficiência ou que passaram por amputações têm uma oportunidade para ter uma nova mão. A Associação Dar a Mão, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), desenvolve as próteses por meio de impressão 3D.

Foto: Divulgação/Dar a Mão

 

Os equipamentos são feitos sob medida e podem ser customizados, com cores preferidas pelas crianças ou temas como princesa e super-herói. Alguns materiais podem ser adaptados para hipismo ou para natação.

A Associação Dar a Mão atende a mais de mil famílias cadastradas. A entidade criou ainda uma rede online para contato, comunicação, interação e troca de experiências entre as famílias e os voluntários envolvidos nos processos.

Os voluntários atuam em conjunto com o Núcleo de Pesquisa POTA – Produtos Orientados para Tecnologia Assistiva do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da PUC-PR, coordenado pela Diretora de Pesquisa e Tecnologia da Associação Dar a Mão, professora doutora Lúcia Miyake.

“Em quatro anos entregamos mais de duzentos dispositivos no Brasil todo. E há estudos para ampliar o atendimento a pessoas que não têm os braços ou parte do braço. Sem o movimento do cotovelo, elas precisam de próteses eletromecânicas e já temos 150 voluntários envolvidos no desenvolvimento de novos modelos”, conta a pesquisadora.

A PUC do Paraná tem uma estrutura de laboratório, engenharia e impressoras 3D que facilita a pesquisa e o trabalho de quem vai desenvolver as próteses. A matéria-prima é brasileira, o PLA, um plástico de fácil maleabilidade e baixo impacto para o meio ambiente por ser biodegradável.

“Bem lá no começo, nossas próteses eram pretas ou brancas, era o que tínhamos de material. Depois surgiu a ideia de ouvir os desejos das crianças, então começou a produção de próteses da Barbie, tinha um menino que era torcedor do Grêmio e ganhou uma verde com o símbolo do time, o fã do Homem Aranha recebeu uma vermelha”, conta Lúcia Miyake.

“São várias cores de filamento que podem ser usadas de acordo com a sofisticação da impressora. A ideia era que fosse um atrativo psicológico para as crianças. Com essa entrega mais personalizada, incentiva a criança a usar e fica mais fácil a reabilitação na fisioterapia. O trabalho se torna gostoso, uma brincadeira mesmo”, completa.

A prótese é durável, mas precisa ser trocada frequentemente por causa do crescimento natural da criança – como um tênis, por exemplo.

A iniciativa envolveu os voluntários a ponto de alguns instalarem impressoras em casa e fabricarem próteses nas horas vagas. É o caso do professor Osíris Canciglieri Júnior, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da PUC-PR e líder do grupo de pesquisa Concepção e Desenvolvimento de Produtos.

“Trabalhamos o desenvolvimento desses produtos: cada prótese é personalizada porque você não encontra uma pessoa que seja igual à outra, sempre há diferenças. O trabalho é tentar compatibilizar tudo isso, buscar novas alternativas de materiais para aperfeiçoar e trazer a essas pessoas uma vida normal”, diz Osíris.

O objetivo é que crianças e adolescentes tenham uma vida normal, possam ser integrados como se tivessem nascidos sem deficiência.

Um obstáculo que poderá ser superado com as próteses refere-se à inclusão das crianças no ensino regular. De acordo com o professor Osíris Canciglieri Júnior, as crianças com deficiência acabam em escolas especiais pela dificuldade de acessibilidade, mesmo com total capacidade neurológica e cognitiva.

“Elas poderiam perfeitamente acompanhar o ensino regular porque o problema delas é mecânico, não intelectual. E quando elas têm acesso às próteses esse obstáculo é superado, gerando inclusão”, diz o pesquisador. “Do ponto de vista acadêmico você começa a dar para a engenharia um lado mais humano”, conclui Osíris.