O secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Elcio Franco, disse nesta quarta-feira (7) que o governo cogita vacinar apenas 10% da população contra a Covid-19.

Franco contou que o contrato do governo com a iniciativa internacional COVAX Facility prevê pouco mais de 42 milhões de doses, sendo previstas duas doses por vacinado.

“Para reduzir significativamente os impactos da Covid-19 de maneira segura, rápida e eficaz, não seria necessário vacinar toda a população. Eu cito como exemplo a nossa campanha de vacinação anual contra a influenza, quando vacinamos cerca de 90 milhões de brasileiros, dentre a nossa população de 212 milhões de brasileiros (…) Uma vez aprovada uma vacina segura e eficaz no âmbito da COVAX Facility, suas doses serão distribuídas de modo justo e equitativo”.

Secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Elcio Franco – Reprodução

Pouco antes, o secretário-executivo citou entendimento da COVAX para acelerar o desenvolvimento de vacinas.

“Ninguém está seguro até que todos estejamos seguros. Não adiantaria nós imunizarmos uma parcela da população brasileira se os países vizinhos, países com menor poder aquisitivo, não tenham possibilidade de imunizar suas populações. A doença não seria erradicada ou controlada e migraria de volta para o nosso país ou para qualquer país do mundo”.

Covax Facility

O governo brasileiro começou a pagar nesta quarta-feira (7) a primeira parcela, de R$ 830 milhões, pela adesão ao Instrumento de Acesso Global de Vacinas Covid-19.  Parte deste valor, cerca de R$ 91 milhões, poderá ser devolvido se o país não comprar nenhuma vacina do consórcio coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o desenvolvimento rápido e seguro de imunização. O chamado Covax Facility reúne 168 países para garantir vacina contra o vírus, e destinam R$ 2,5 bilhões para a iniciativa.

O ingresso na Covax Facility prevê o pagamento de mais R$ 1,7 bilhão caso o Brasil escolha uma das vacinas do consórcio.  Os representantes do Ministério da Saúde reiteraram que a adesão ao grupo não impede o estabelecimento de outros acordos para a compra e a produção de vacinas.

Valores

Os parlamentares questionaram os valores do contrato. Acharam alta a quantia de R$ 711 milhões, parte não reembolsável paga pela adesão. O Ministério da Saúde informou também que há diferença nos valores individuais das vacinas. Em relação à vacina de Oxford, por exemplo, o custo estimado pela Covax Facility é de US$ 10,55; enquanto a dose resultante do acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem expectativa de custar US$ 2,30. A média de preço das vacinas produzidas fora do País deve ficar em torno de US$ 10.

O coordenador da Comissão Externa, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ),  explicou porque os parlamentares insistiram em ter explicações detalhadas sobre os custos de ingressar neste grupo que já conta com 168 países.

“Aqui, a gente apoia as ações do governo, porque a gente busca que a população seja imunizada. A gente precisa esclarecer o que a gente esteja votando, porque somos nós que vamos ao Plenário, somos nós que somos cobrados diariamente na rua e somos nós que somos cobrados aqui, de maneira remota, por toda a população brasileira, querendo informações, informações válidas para deixar claro todo o acompanhamento e todas as ações do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais.”