O operário João Luiz Kubis, que foi soterrado em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, não costumava trabalhar em aterros sanitários. De acordo com o irmão, Ednei Kubis, a vítima era destinada normalmente para serviços de terraplanagem, mas acatou um pedido da empresa no último sábado (25). As buscas entraram, nesta segunda-feira (27), no 3° dia.

“Eu estou desde sábado vindo aqui, tentando saber se posso fazer algo e dar um apoio. Ele veio obedecer o patrão, óbvio, mas cadê o técnico em segurança para avaliar as condições do terreno”, questiona.
João operava uma retroescavadeira da empresa terceirizada de construção civil, que presta serviço no local. Ele caiu com o maquinário em um barranco.
A filha de João, Jennifer Kubis, diz que a família ainda não conseguiu assimilar o ocorrido.
“A gente não consegue aceitar que ele está ali embaixo desse lixo. Pessoas grandes sabiam do risco e deixaram ele trabalhar ali. Nos dizem para ter calma, paciência, que há risco de novos desabamentos, mas é muito difícil”, diz.
Mesmo com os três dias de procura, a família nutre esperanças de encontrar João vivo.
“A esperança é grande, mas sabemos que quanto mais tempo passa, menor a chance”, comenta.
Buscas
O capitão Freire, do Corpo de Bombeiros, diz que a área oferece muitos riscos, o que exige cautela das equipes de segurança.
“É um trabalho minucioso, por isso precisa ser lento e com cuidado. Nós temos alguns indícios [de onde João poderia estar], a primeira das duas máquinas foi encontrada, então trabalhamos próximo a elas”, explica.
Freire cita que a terra está muito compacta, o que exige que o serviço seja realizado apenas com o maquinário.
Terceirizada
Após o ocorrido, a empresa terceirizada, responsável pelo serviço no local, divulgou nota à imprensa:
“A Estre lamenta informar que houve, no final da tarde de sábado (25), um descolamento de talude em seu aterro sanitário, no município de Fazenda Rio Grande (PR). A empresa acionou, de imediato, o corpo de bombeiros e as demais autoridades responsáveis que se deslocaram para atendimento à ocorrência.
A prioridade total neste momento está em apoiar as autoridades na busca a um colaborador terceirizado desaparecido que trabalhava na unidade, bem como dar assistência a seus familiares.
Desde o ocorrido, a Estre está colaborando de forma irrestrita com as autoridades competentes, que continuam no local, para apurar e entender as causas e impactos da ocorrência.”
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