Equipes de buscas localizaram 338 vestígios humanos das nove vítimas da explosão que destruiu uma fábrica de explosivos, na última terça-feira (12), em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O levantamento foi divulgado nesta quinta (14) pela Polícia Científica do Paraná, que conduz a identificação seguindo o protocolo internacional de Identificação de Vítimas de Desastres (DVI).
Segundo o chefe da Divisão Operacional da Polícia Científica, Leonel Letnar Junior, cada vestígio está passando por um rigoroso protocolo internacional de identificação que já foi utilizado em casos como o rompimento da barragem em Brumadinho, as enchentes no Rio Grande do Sul e o acidente aéreo de Vinhedo, em São Paulo.

Cada vestígio encontrado é sinalizado com triângulos de acrílico ou bandeirolas numeradas e encaminhado à Polícia Científica para análise. Pelo menos 50 vestígios já estão em processamento. Segundo o secretário da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), Hudson Leôncio Teixeira, os corpos das vítimas foram fragmentados com a força da explosão.
“Estamos seguindo com o processamento dos vestígios desde o primeiro dia. Já estão em estado avançado, como o próprio secretário comentou, em fase de processamento. Na sequência, vamos fazer a análise para poder fazer a comparação com o perfil genético dos familiares e, aí sim, obter a identificação dessas vítimas”, explicou.
As equipes atuam nas buscas com pás, enxadas e rastelos para revirar escombros e terra para localizar fragmentos humanos. O local foi dividido em nove quadrantes para otimizar a triagem e evitar perdas de material biológico.
O coronel Hiller, comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Paraná, disse que o local é de difícil acesso. Ele também demostrou preocupação com a possibilidade de chover na região. Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta (14), ele comparou a explosão em Quatro Barras com um desastre aéreo.
“A exemplo de um acidente aéreo, quando a gente tem uma queda de uma aeronave, os vestígios dos corpos acabam ficando enterrados, soterrados. Então a gente tem algo semelhante aqui. Durante a explosão, vestígios acabaram ficando sob não só escombros, mas também sob a terra. A chuva acaba molhando a terra, formando barro. O barro acaba secando depois, tornando o solo mais compactado e dificultando essa busca pelos vestígios”, afirmou.
O único setor ainda em análise é o epicentro da explosão, onde a força da detonação foi maior e os fragmentos ficaram mais dispersos. A previsão é de que as buscas sejam finalizadas até o fim desta sexta-feira (15), caso as condições climáticas permitam.

A expectativa inicial era que o processo de identificação levasse até dois meses, mas a Polícia Científica conseguiu reduzir esse prazo para cerca de dez a quinze dias com o apoio de laboratórios dos governos de São Paulo e Santa Catarina, além da ajuda da Polícia Federal (PF). Os primeiros resultados devem começar a sair a partir desta sexta (15).
A explosão está sendo investigada pela Polícia Civil, que já colheu depoimentos de funcionários do turno da noite e da manhã. Imagens de câmeras de segurança também estão sendo analisadas para tentar esclarecer as circunstâncias do acidente.
O secretário da Segurança Pública afirmou que no momento da explosão as vítimas não manipulavam diretamente explosivos. As causas oficiais só serão conhecidas após conclusão da perícia técnica.
Quem são as vítimas da explosão
A empresa Enaex Brasil divulgou a lista com os nomes das nove vítimas da tragédia ocorrida na fábrica em Quatro Barras. Três mulheres e seis homens perderam a vida no incidente. Veja a lista abaixo:
- Camila de Almeida Pinheiro
- Cleberson Arruda Correa
- Eduardo Silveira de Paula
- Francieli Goncalves de Oliveira
- Jessica Aparecida Alves Pires
- Marcio Nascimento de Andrade
- Pablo Correa dos Santos
- Roberto dos Santos Kuhnen
- Simeão Pires Machado
“É muito triste para gente, muito pesado isso. A equipe de RH está trabalhando na comunicação direta com os familiares”, disse Daniel Oliveira, diretor da empresa.
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