Edison Brittes Junior, condenado a 42 anos de prisão pelo assassinato do jogador Daniel Corrêa, enviou um buquê de flores com notas de R$ 200 para filha, Allana, que completou 25 anos recentemente. O ex-empresário está preso desde 2018, quando confessou ter matado o atleta logo após a festa de aniversário de 18 anos da filha, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O presente foi compartilhado nesta terça-feira (11) pela própria Allana em uma rede social. Na legenda, a jovem comemorou a chegada do aniversário e exibiu fotos da festa. “25 primaveras. Mais um ciclo de flores, força e fé!”, escreveu ela. O buquê recebido do pai também acompanhava uma carta. As informações são do portal RIC.com.br.

“Filha, essas flores são um pedacinho do meu amor por você. Aproveite o seu dia e seja feliz. Se sinta abraçada, amada e abençoada por mim. Saiba que mesmo longe, estou aí em pensamentos. Jamais esqueça que eu te amo muito. Amor de Papai e filhinha para sempre. Sempre com você, Princesa do Papai”, diz o bilhete.
Nas publicações da festa, Allana aparece ao lado da mãe, Cristiana, e do marido, David William Vollero Silva, que também foram réus no processo do Caso Daniel.
No julgamento, Allana foi condenada por fraude processual, corrupção de menores e coação no curso do processo. Ela chegou a sair do Tribunal do Júri algemada, mas foi solta três dias depois. Atualmente, Allana é formada em Direito e responde em liberdade.
Edison acusa ex-mulher
Edison Brittes afirmou em maio deste ano que a própria ex-esposa, Cristiana, pediu que ele matasse o atleta. O jogador, de 24 anos, foi morto degolado e teve o órgão genital cortado em outubro de 2018, em São José dos Pinhais.
O assassino confesso declarou em entrevista exibida no Balanço Geral Curitiba que só decidiu cometer o crime após receber ligações e mensagens da então esposa enquanto dirigia com o atleta no carro. Segundo ele, a mulher teria enviado fotos tiradas por Daniel durante a madrugada e, em seguida, enviado um áudio com uma ordem direta: “Mata!”.

“[A ideia] era largar ele em algum lugar, pelado, pra ele passar vergonha. Eu peguei a faca, sim, mas não com o intuito de matar ninguém. Quando eu vi a foto, as mensagens, foi ali que eu decidi [matá-lo]”, afirmou Edison.
No trajeto, diz ele, Cristiana ligou para o então companheiro, que decidiu recusar a chamada. A mulher teria ligado outras duas vezes. “Eu não atendi duas vezes e ela me mandou três fotos. Eram as fotos dela lá na cama, que o Daniel tinha tirado. Até então, eu não tinha visto. Eu vejo essas fotos e logo uma mensagem de voz junto… A Cristiana reafirmando o que ela tinha falado pra mim lá trás: ‘Mata!’”, acrescentou.
Antes do crime, Cristiana também teria pedido que Edison não matasse o jogador dentro da casa em que viviam. “Saí com o Daniel depois de um tempo, passo pela sala e escuto a Cristiana falar para mim: ‘Olha, não mata aqui! Não mata esse cara aqui dentro de casa. Mata lá na rua!’. Aquilo me soa como um isqueiro, um estopim. Minha ideia era ficar ali e chamar a polícia. As duas meninas confirmaram que ouviram isso. Estou falando o que aconteceu. Não estou aqui para culpar ninguém. Não falei antes porque queria protegê-la”, afirmou Brittes.

Durante a entrevista, Edison também afirmou ter matado Daniel sozinho e questionou: “O autor está preso e condenado. A mandante foi absolvida?”.
Cristiana foi absolvida das acusações de homicídio qualificado e coação no curso do processo. No entanto, ela foi condenada pelos crimes de fraude processual e corrupção de menores, recebendo uma pena de 6 meses de detenção e 1 ano de reclusão, ambos em regime aberto.
“Ninguém me ajudou. O David, Igor e Eduardo não mataram ninguém. Infelizmente eu fiz esse crime sozinho. Por isso foram absolvidos. Se estivessem errados, eu com toda certeza os teria entregado”, defendeu ele.
David William Vollero Silva, Ygor King, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Evellyn Brisola Perusso foram absolvidos pelo júri.
Ministério Público denúncia Edison Brittes
Em setembro deste ano, o Ministério Público do Paraná denunciou Edison Brittes por ameaça e violência contra a ex-esposa, Cristiana Rodrigues, após dizer que “arrancaria a cabeça” dela, segundo a advogada que a representa. Ele teria escrito cartas nas quais prometia matar a então mulher caso ela pedisse o divórcio.

Em uma das cartas obtidas pela Ric RECORD e atribuída a Edison, ele se declara à então esposa, afirmando ter tatuado o nome dela. Em um dos trechos, relata ter acreditado que o amor entre eles havia chegado ao fim, mas ressalta que tudo o que fez foi por Cristiana e pela família. No entanto, as palavras de carinho dão vez a ameaças de morte.
“Não vou te julgar de uma noite de bebedeiras, e sim pelos 20 anos de sua postura exacerbada de esposa, mãe, mulher, pois você sempre foi certa em tudo, principalmente na nossa relação, pois, se não fosse, nem aqui você estaria mais! Você sabe muito bem que eu mataria você sem pensar 2x”, teria escrito Edison Brittes.
A revelação das cartas ocorreram após Edison acusar a ex-companheira de ser a mandante da morte do atleta.