O deputado federal Beto Richa (PSDB) diz que procurava alianças para sustentar sua pré-candidatura à Prefeitura de Curitiba quando foi convidado a se filiar ao PL e que não imaginava resistência ao seu nome entre lideranças locais do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Richa teve conversas com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e também com o deputado federal Filipe Barros (PL).

Na quarta-feira (13), foi pessoalmente à sede do PL em Brasília, onde diz ter sido “gentilmente recebido” por Bolsonaro. Mas a costura fracassou na sequência, depois de o tucano ser alertado que o PSDB não daria carta de anuência para a desfiliação, o que colocaria seu mandato em risco.

Beto Richa diz ainda que não entende as críticas recebidas do deputado estadual Ricardo Arruda, que já integrou a base aliada do tucano no passado e que, nesta quinta (14), encabeçava protestos contra a possível chegada do tucano ao partido. “Arruda foi o mais entusiasmado da minha base de apoio até o último dia do meu governo”, diz.

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Deputado federal Beto Richa (PSDB-PR) – Foto: Câmara dos Deputados

Outros nomes que hoje estão no PL local também já fizeram parte do grupo de Richa lá atrás. “Paulo Martins [presidente do PL em Curitiba] foi deputado pelo PSDB e foi da minha equipe de governo, secretário do Paraná no escritório em Brasília.

O deputado Giacobo [presidente do PL no Paraná] também era um aliado, sempre me apoiou nas minhas eleições. O Filipe Barros foi do PSDB lá atrás, militante da Juventude”, lembra ele.

“Nossa convivência não é de agora. Me sentia de certa forma à vontade nestas conversas com o PL”, diz Richa, acrescentando que “sempre enfrentou a esquerda” nas eleições que disputou.

Pré-candidatos do PL à prefeitura de Curitiba, Paulo Martins e Ricardo Arruda disseram nesta quinta à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que foram pegos de surpresa sobre a possível entrada de Richa no partido de Bolsonaro. Arruda acrescentou que Richa “não é de direita e falou mal de Bolsonaro na pandemia”.

Agora, Richa diz que está disposto a manter sua pré-candidatura, embora a federação PSDB-Cidadania garanta a ele pouco tempo de televisão. “A gente sabe hoje o peso que tem uma boa comunicação através das redes sociais”, minimizou ele.

Em Curitiba, Richa sabe que precisará enfrentar a rejeição do eleitorado. Veterano da política, com dois mandatos de prefeito em Curitiba e outros dois no governo do Paraná, o tucano tenta reconstruir sua trajetória após um período turbulento.

Somente entre outubro de 2018 e novembro de 2019, Richa se tornou réu em oito ações penais, e chegou a ser levado três vezes para a prisão. Afirma que foi perseguido pelo Ministério Público.

Em 2022, Richa obteve 65 mil votos e não conseguiu uma cadeira na Câmara de imediato – ao final, foi diplomado no lugar do tucano Jocelito Canto, cuja candidatura acabou indeferida pela Justiça Eleitoral.

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Richa diz que falou com Bolsonaro sobre entrar no PL e que resistência no partido surpreendeu

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