O deputado Ricardo Arruda (PL) abriu boletim de ocorrência contra o colega de Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Renato Freitas (PT). O registro foi feito na tarde desta quarta-feira (29), no 3° Distrito Policial de Curitiba. Arruda alega que se sentiu ameaçado durante dois discursos proferidos por Freitas na tribuna da Alep.

Reprodução

Desde o início da nova legislatura, em fevereiro, Ricardo Arruda e Renato Freitas têm mantido intensa animosidade no plenário, com troca de diversas acusações.

De acordo com o deputado do PL, parlamentares como ele não podem admitir “atitudes criminosas” durante a sessão plenária.

“Por essa razão, fizemos um boletim de ocorrência de ameaça contra o parlamentar. Próximo passo agora é entrar com representação na Corregedoria da Assembleia para pedir uma atitude rigorosa contra a fala. Eu, no meu terceiro mandato, nunca vi isso dentro da Alep”, disse Arruda ainda na delegacia.

Consta no boletim de ocorrência (BO) que as falas de Freitas teriam acontecido nos dias 27 e 28 de março.

Cronologia da acusação

A primeira citação que consta no BO aconteceu na segunda-feira (27). No discurso, Freitas faz ataques ao deputado do PL e cita denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), que o investiga por associação criminosa e desvio de dinheiro público.

Renato Freitas (Divulgação Alep)

“E quando esse policial, mau policial, mata uma pessoa e a Justiça é feita, ele é expulso da corporação. Mas, figuras obscurantistas, serviçais da maldade e da mentira, atuam para que os policiais sejam readimitidos. Deus é o caminho, é a verdade, é a vida. Quando, a exemplo do deputado Ricardo Arruda, se desvia do caminho, propaga a mentira, o resultado é a morte”, comentou.

No dia seguinte, terça-feira (28), Arruda usa a tribuna da Alep e questiona Freitas sobre a suposta ameaça.

“E quando o senhor falou em morte, citando o meu nome, foi uma ameaça? Então, nós vamos apurar com quem o senhor Renato Freitas está envolvido para dizer algo tão grave como ele disse naquela tribuna. Eu não sei qual o sentido vindo do senhor”.

O petista, então, pede a palavra novamente e cita a morte do adolescente Caio José Ferreira de Souza Lemes, 17 anos, baleado durante abordagem da Guarda Municipal no bairro Campo Comprido.

“Encontre no caminho da vida e da verdade, a possibilidade de se resgatar. Eu acredito no resgate do gênero humano, inclusive de pessoas como o senhor, altamente comprometidos com a mentira, cego pela ambição, escravo da própria vaidade. Inclusive em casos como o seu, em que parece ser impossível, eu acredito que é possível se arrepender e mudar. Deputado Ricardo Arruda, arrependa-se, há tempo, enquanto há vida”, conclui.

Antes do encerramento da fala, o deputado do PL chega a interromper Freitas e questionar a Mesa Diretora se “ataques pessoais” estariam liberados na Casa.

Deputado Ricardo Arruda (Divulgação Alep)

Ação na Corregedoria

De acordo com o advogado de Arruda, Jeffrey Chiquini, a defesa de Arruda ainda pedir a instauração de processo disciplinar por quebra de decoro.

“O deputado se sentiu ameaçado por duas vezes, em dias consecutivos. Por esse motivo, de forma correta, buscou diante das autoridades, a investigação, o processamento e a responsabilização daquele que deve defender as leis e não violá-las. Então, de forma lícita e legítima, comunicamos o fato às autoridade e buscaremos a correta aplicação da lei”, afirmou.

Renato rebate denúncia

Em relação à suposta ameaça, Renato Freitas disse que, na sessão de segunda-feira chamou a atenção para o processo criminal que Ricardo Arruda responde, “como incurso nos crimes de associação criminosa (art. 288, CP); peculato (art. 312, CP) e tráfico de influência (art. 332, CP), destacando que, dentre os diversos delitos de tráfico de influência denunciados pelo Ministério Público do Paraná, consta a interferência ilegal e imoral do deputado, que agiu com vistas a garantir a restituição à PM/PR de policiais expulsos da coorporação por terem cometido o crime de homicídio”.

Segundo Renato Freitas, na sessão do dia seguinte, Ricardo Arruda acusou o adolescente Caio, menor de idade e sem passagens pela polícia, assassinado pela Guarda Municipal de Curitiba, de ter ameaçado os oficiais com uma faca, versão que é contestada pela família.

“Em resposta, Renato relembrou o processo criminal de Arruda e associou a propagação de fake news a um tipo de política que produz a morte de inocentes. Parafraseando versículos bíblicos, Freitas disse ainda que acreditava no arrependimento do parlamentar como uma forma de se redimir”, disse Renato Freitas.

Renato Freitas disse que Ricardo Arruda é disseminador de fake news e cortou as falas completas, que podem ser conferidas no canal da TV Assembleia no Youtube, nas quais chama a atenção para a necessidade de apuração das mortes promovidas pelas forças policiais do Estado, sobretudo no caso recente de Caio José.

Leia o restante da nota completa:

Como se não bastasse, Arruda imputou, sem apresentar qualquer indício, que Freitas possui envolvimento com facções criminosas. Acusação gravíssima pela qual o parlamentar bolsonarista será responsabilizado.

Destaca-se que é lamentável que o referido deputado se utilize de má-fé para descontextualizar os fatos, atentando contra o interesse público ao desperdiçar recursos, que deveriam ser destinados para averiguar crimes reais, com picuinhas políticas.

Ressalta-se ainda, que é possível vislumbrar na atitude do parlamentar uma das facetas do racismo, que, em nossa sociedade, tende a atribuir a pessoas negras o estigma de perigosas, mesmo quando ocupam espaços de poder.

Por fim, o próprio deputado Arruda, ao registrar o boletim de ocorrência com fatos que tem conhecimento de serem inverídicos, pode estar cometendo crime contra a administração pública (art. 339, CP); denunciação caluniosa (art. 339, do CP); injúria (art.140, CP); difamação (art. 139, CP); e calúnia (art. 138, CP).

Na verdade, sabemos que a acusação de Arruda só acontece porque o preconceito e a discriminação racial permitem que esse tipo de calúnia caia como uma luva no contexto de nossa sociedade racista. É o que o Brasil faz desde sempre, mas os tempos são outros“.

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Deputado Ricardo Arruda alega ameaça e abre boletim de ocorrência contra Renato Freitas

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