O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, recomendou que o presidente da República decrete intervenção federal no Rio de Janeiro. O pedido foi feito no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). No mesmo documento, o senador pede o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Retrato do senador Alessandro Vieira. Ele recomendou intervenção federal no Rio de Janeiro
Vieira considera que complexidade do cenário fluminense demanda resposta estatal “de magnitude correspondente”. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Segundo Vieira, a intervenção seria necessária frente à infiltração do crime no Poder Público local. Para ele, esse cenário comprometeria a capacidade do Estado de combater com autonomia o crime organizado.

Trata-se de uma situação de comprometimento estrutural da soberania estatal sobre parcelas significativas de seu território, agravada pela infiltração sistêmica do crime organizado nas instituições públicas estaduais

disse o relator no texto.

A CPI do Crime Organizado ainda precisa aprovar o relatório de Vieira e pode pedir vistas do documento em sessão que acontece nesta terça-feira (14).

O senador destaca que a presença de facções e de milícias agindo concomitantemente no Rio de Janeiro cria problemas específicos no Estado. “A complexidade dessa configuração criminal não encontra paralelo no restante do País e exige, por si só, uma resposta estatal de magnitude correspondente”, argumenta.

Como seria uma intervenção federal no Rio

Caso a recomendação de Vieira seja aprovada pelo Congresso Nacional e pela Presidência da República, ela entrará em vigor e será implementada apenas no setor da segurança pública do Estado.

Intervenção no Rio em 2018

O Governo de Michel Temer instituiu, em 2018, uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Alessandro Vieira fez críticas à maneira como a operação foi conduzida.

“Os resultados foram limitados, sobretudo, porque a intervenção não foi acompanhada de ações integradas em outras áreas, como políticas sociais, urbanização e enfrentamento à lavagem de dinheiro, e porque seu prazo excessivamente curto impediu a consolidação das ações”, avaliou.

Pedido de indiciamento de ministros

No mesmo relatório, Alessandro Vieira pediu o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O motivo para a recomendação seria a atuação dos ministros em relação ao caso Banco Master.

O relator afirma haver indícios de crimes de responsabilidade por “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa” e por “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

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