Waldemiro Gremski

Por dever de ofício, sou levado a publicar durante o mês artigos assinados por especialistas de diversas áreas. Hoje, dia 16, li com satisfação “Pela pesquisa científica em prol do país”, assinado pelo PhD e Professor Waldemiro Gremski, reitor da PUC-PR, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.

O texto sobre o qual mostrarei pontos salientes, está no jornal O Estado de São Paulo, página A-2. Sem fazer alarido político, em tempos de tantos negacionismos, Gremski começa dizendo: “Vivemos um momento complexo. No fundo, sabemos que nossa esperança é a ciência. É no domínio do conhecimento que a humanidade tem certeza de sua sobrevivência e progresso”.

Enfático, o educador – que tem dois doutorados em Biologia (câncer), lembra que sem tecnologia e inovação não teremos como formar capital humano competente para desenvolver no país um verdadeiro sistema de inovação, a fim de enfrentar os desafios atuais.

Gremski cita, no artigo, o exemplo da Embrapa, cujo conhecimento acadêmico fez do Brasil o segundo maior produtor e exportador de alimentos para o mundo. O reitor constata quer temos muito alta produção científica, mas sem reflexos no desenvolvimento do país.

Professor Gremski dá um cutucão na academia: “É imprescindível ofertar programas alinhados às demandas dos setores produtivos”. A chave de leitura desse texto do reitor da PUC/PR pode ser assim resumido: A ciência produzida pelas universidades deve reverter em benefícios para toda sociedade.

Mas a sociedade está pouco aproveitando da ciência produzida pela academia. “O Plano Nacional de Pós Graduação, 2011-2020, aponta que o percentual de doutores atuando na indústria brasileira, ao contrário dos países desenvolvido, é de somente 7,1%”.

Gremski lembra que a universidade brasileira forma 23 mil doutores/ano. E pergunta: “ qual é o destino deles? Há algum estudo que defina áreas prioritárias, fora academia?” Sugiro acesso ao jornal O Estado de SAão Paulo para leitura desse precioso artigo.

No seu final, Gremski lembra que vive-se um momento tão promissor e perigoso para a Humanidade, vivendo sob impacto e amplitude jamais vistos.

Da Serrinha para o mundo

Waldemiro Gremski poderia ter sido um grande sacerdote da congregação católica Vicentina (Congregação da Missão). Fez o Curso de |Teologia, mas escolheu a vida secular e nela, a de Biólogo voltado à academia. Doutorou-se, por exemplo, pelo Karolinska, da Suécia, e estudou em outros países. Sua especialidade, câncer.

Por esses caminhos da vida, que nem sempre se compreende, Gremski foi por um tempo proibido de sair do país, por agentes da repressão, no começo dos 1970. Foi salvo pelo bom senso do então general Ayrton Tourinho, comandante da Quinta Região Militar.  E dali em diante deslanchou numa produtiva carreira acadêmica, tendo sido diretor do MEC e ocupado funções de direção na UFPR.

Gremski é um bom exemplo de superação: menino do interior distante, de Serrinha, município de Contenda, ele nasceu em família de médio produtor rural. Cedo foi para o seminário, guardando uma certa tradição de famílias de origem polonesa que compõem a maior parte da população local. Hoje Gremski contempla seu trabalho na PUCPR, apresentada por diversos rankings internacionais e nacionais entre as melhores universidades da América Latina.

Waldemiro Gremski foi personagem de meu livro Vozes do Paraná, volume 1, e em 2019 ganhou o diploma “Grandes Porta-Vozes do Paraná”, outorgado pelo Instituto Ciência e Fé de Curitiba.

  • Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.

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