Líderes da pesquisa: Paulo Brofman e Hipólito Carraro Junior

 

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) e do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) deram início na última semana a um projeto que utiliza células-tronco mesenquimais (CTMs), derivadas do tecido do cordão umbilical (TCU), para tratar pacientes com síndrome respiratória aguda grave decorrente do SARS-CoV-2. Esse é um estudo pioneiro no tratamento com células-tronco para Covid-19 no Brasil regularizado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e de acordo com a RDC nº 338 de 20 de fevereiro de 2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em andamento efetivo.

Cordões umbilicais

Os pesquisadores do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR (CTC-PUCPR) são responsáveis pela coleta dos cordões umbilicais, preparação das células e controle de qualidade do material; os do CHC-UFPR serão responsáveis pela seleção dos pacientes, infusão das células e acompanhamento clínico e os da Fiocruz Paraná realizarão a análise de citocinas e de carga viral.

Testes nos EUA

A terapia celular para o tratamento do coronavírus já está sendo testada em ensaios clínicos nos Estados Unidos, China, Colômbia, França e Jordânia. São utilizadas CTMs, que atuam na modulação da resposta imunológica e na proteção de tecidos danificados. O efeito tem sido positivo na recuperação dos pacientes e está relatado repetidamente em vários desses ensaios, mesmo em pacientes idosos em estágio avançado da doença.

Potencial terapêutico

O objetivo dos pesquisadores é avaliar o potencial terapêutico das CTMs para tratamento de pacientes e na recuperação com síndrome respiratória aguda grave decorrente do SARS-CoV-2. OS pacientes vão receber a infusão intravenosa de células em três doses, com intervalos de dois dias (48 horas), sendo que o tratamento convencional será realizado em conjunto com a infusão.

Os líderes do projeto

Paulo Brofman, coordenador do Núcleo de Tecnologia Celular da PUCPR e Hipólito Carraro Júnior, responsável pela Unidade de Terapia Intensiva do CHC, lideram o projeto e contam com o trabalho de pesquisadores de diversas áreas das instituições envolvidas que estão voltando suas forças para o combate e prevenção à Covid-19.

“O projeto com células-tronco, nesse sentido, vem para somar a tantas iniciativas das duas instituições. A pesquisa, com participação dos profissionais da PUCPR e do CHC, é mais uma prova de que estamos empenhados em ajudar a sociedade a superar a pandemia”, afirma Brofman.

Lesões do miocárdio

Além da síndrome respiratória aguda grave, muitos pacientes que contraem o coronavírus apresentam complicações como lesão aguda no miocárdio, arritmia, dano renal agudo e choque, levando à morte por síndrome de disfunção de múltiplos órgãos demonstrando a gravidade desta doença. Até o momento, não há vacinas ou medicamentos comprovadamente efetivos, sendo que o foco do combate à doença está recaindo sobre a prevenção.

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Muito seguro

Recentemente, as CTMs começaram a ser pesquisadas no tratamento do coronavírus. Tais células têm potencial imunomodulador, efeitos antimicrobianos e capacidade de reparo tecidual, além de serem “imunoprivilegiadas”, pois não podem ser infectadas pelo SARS-CoV-2. Uma das fontes muito atrativa de CTMs é o tecido do cordão umbilical (TCU), habitualmente descartado após o parto e que estão sendo usadas neste projeto.

Pesquisas recentes que utilizaram as CTMs oriundas do TCU para tratamento da Covid-19 mostraram que se trata de um procedimento seguro. Alguns resultados já observados foram a diminuição de citocinas inflamatórias mediando a reação inflamatória, responsável pelo grave comprometimento pulmonar, aumento de células reguladoras e proteção pulmonar o que pode resultar em menor tempo de respiração assistida, no tempo de internamento nas unidades de terapia intensiva, em menores sequelas e possivelmente influenciar na diminuição da mortalidade.

 


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