Por volta de 2010, quando absolutamente toda a frota de ônibus de Curitiba era movida a diesel e biodiesel, a cidade, então administrada pelo prefeito Luciano Ducci, assistiu à chegada de um punhado de pouco mais de 20 coletivos híbridos – um misto de motorização à base de combustíveis fósseis e eletricidade. A novidade era fruto de um trabalho conjunto entre a Volvo, produtora dos chassis e motores, e da Marcopolo, responsável pelo encarroçamento dos veículos. Esses ônibus estão até hoje em operação na cidade, e atendem linhas convencionais ou interbairros. Representam, é verdade, um percentual mínimo da frota, mas não demorou para ganharem a confiança e a preferência do público.
OLHAR FUTURISTA
Enquanto a frota híbrida de Curitiba estancou, experiências similares, ou mesmo exclusivamente voltadas à gradativa eletrificação dos sistemas de transporte de massa, no Brasil, seguem lentamente e mostram resultados auspiciosos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, mais e mais coletivos não-poluentes e seguindo à risca as políticas saudáveis da sustentabilidade já circulam pelas ruas – apesar do caótico quadro alusivo ao transporte de massa nesses dois centros do país. Vale, antes de tudo, o esforço conjunto de governos, universidades e instituições de pesquisa capazes de desenvolver projetos que impeçam o caos chinês, onde o horizonte tomado pela poluição é uma marca indesejada para todos.
URGÊNCIA MUNDIAL
Apesar das ainda imensas reservas mundiais de combustíveis fósseis – leia-se gasolina e diesel, prioritariamente, responsáveis pela movimentação de milhões de veículos mundo afora -, os países desenvolvidos têm pressa em dar à Humanidade melhores graus de qualidade de vida. Nos principais países europeus – os escandinavos, Alemanha, França e Inglaterra à frente -, legislações específicas já determinam que a frota veicular eletrificada ou híbrida, além de preferencial, goza de benefícios fiscais já a partir de 2025. A depender de cada país, donos de veículos movidos à base de derivados petrolíferos enfrentarão cada vez mais problemas nos centros urbanos.
PRIORIDADES E TAXAÇÕES
Enquanto o transporte de massa é cada vez mais prioritário nas cidades, em detrimento do individual, a eletrificação das frotas, mundo afora, é prioritária, sobretaxando-se quem, no prazo pré-estabelecido, estiver à margem da desejada conversão motora. As grandes montadoras, apoiados em benefícios fiscais ofertados pelos governos de países desenvolvidos, cada vez mais lançam produtos econômicos e sustentáveis de última geração. O que, infelizmente, ainda não acontece no Brasil, apesar dos ainda raros experimentos individualizados.
POUCO INVESTIMENTO
Filiais de montadoras do Primeiro Mundo, as instaladas no Brasil recebem poucos investimentos para projetos modernos voltados à eletrificação ou criação de motores híbridos mais baratos, capazes de atrair consumidores à procura de veículos modernos, não-poluentes e econômicos.
TUDO PARADO
Curitiba, cidade que há 45 anos revolucionou – com a criatividade e ousadia de Jaime Lerner – o sistema de transporte com a implantação dos Ônibus Expressos e suas canaletas, há cerca de oito anos ganhou um punhado de ônibus híbridos, mas nada mais fez para expandir esse modal.
TARIFAS, A ALEGAÇÃO
A alegação de que híbridos e elétricos contribuem para a elevação da tarifa, já não se justifica quando não só ambientalistas e ecologias, mas até mesmo muitos governos, pregam a sustentabilidade. Ao renovar gradativamente sua frota, Curitiba merece ganhar de presente modais que estejam de acordo com as exigências ambientais.
Ônibus híbrido testado em linhas convencionais: Detran/Vicente Machado, Juvevê/Água Verde; Jardim Mercês/Guanabara e Água Verde/Abranches
LEIA A COLUNA COMPLETA AQUI
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.
