Preciosidade, a pesquisa de Diego Antonelli recupera um dos capítulos mais comentados mas até então pouco documentados capítulos da imprensa do Paraná.

Convite

Nestes dias, ao começar a leitura do livro “Jornal Voz do Paraná, uma História de Resistência”, de Diego Antonelli, me vejo transportado aos anos 1970/80, revisitando não apenas o endereço geográfico do semanário Voz do Paraná e sua Gráfica, Rua Francisco Scremin, Ahú, mas especialmente um clima psicológico com tonalidades únicas, um “bioma” espiritual e histórico que, claro, não se pode repetir.

Mas que há anos alguns profissionais da imprensa tentaram descobrir, tal como o fez o sempre precioso José Carlos Fernandes in Gazeta do Povo, há quatro anos, ao escrever raro material jornalístico sobre o VP.

Para mim, a recomendação surge com “parte pris”, pois fui encarregado de dirigir o processo de modernização de um jornal que nascera para ser vendido nas portas de igrejas católicas do Paraná. Sem maiores projetos editoriais.

Na verdade, fui, acima de tudo, apenas jornalista com amplo sentido de oportunidade em relação a um tempo em que a informação e a opinião viviam sob censura. Percebi que tínhamos uma janela para ocupar. E a ocupamos, sem medo.

MEU CONVITE

Por primeiro, quero convidar meus leitores para comparecerem à Livraria Letras e Artes, (Des. Motta, 2011) nesta quinta-feira, 24, às 18h30 para o lançamento do livro que tinha de ser escrito e pesquisado por alguém com forte compromisso com a História do Paraná quanto o jornalista e escritor Diego Antonelli. A juventude dele está exposta com o aval do insubstituível conhecedor da História da Imprensa do Paraná Hélio Puglielli, que assina o prefácio.

Aliás, desconheço outro intelectual, produtor de cultura, tão valoroso e esquecido quanto Hélio Puglielli. Acho que, quanto ele, só Cassiana Lacerda.

CAMINHOS DO NORTE

Na mesma ocasião, haverá o lançamento de nova edição do romance “Caminhos que levam para o Norte”, do escritor e jornalista Eduardo Sganzerla. Imperdível, igualmente, pois poucos escritores da terra têm o faro social e compromisso com a História quanto Sganzerla.

Os dois livros serão vendidos a preços quase simbólicos, pois têm o patrocínio/incentivo do Profice do Governo do Paraná e Copel.

CREDIBILIDADE

Ao mesmo tempo em que proponho aos leitores desvendarem porque um jornal semanal, quase de sacristia, acabou ganhando expressão e credibilidade no Paraná todo, preciso registrar: a obra só se materializou porque Luiz Fernando de Queiroz e Ellin de Queiroz acreditaram na importância do projeto histórico-cultural levado a termo por Antonelli.

O casal patrocinou a longa pesquisa/ descoberta do “tempo perdido”.

OS ATORES PRINCIPAIS

Os principais atores da vida nova que Voz do Paraná experimentou estão bem presentes no livro, em depoimentos de Maria Luiza Nascimento Mendonça (Maí), Celso Ferreira do Nascimento, Dante Mendonça, Luiz Manfredini, Francisco José de Abreu Duarte, Francisco Alves do Santos dentre outros. E não esquecer o depoimento de um piá (hoje advogado cinquentão) David Belmiro da Silva, que a tudo registrou de seu observatório quase anônimo, na expedição do jornal.

Roaldo Koehler, Luiz Fernando e Ellin de Queiroz, Hélio Puglielli, Jaime Lerner, Maí Nascimento Mendonça e Dante Mendonça, Francisco José de Abreu Duarte e Diego Antonelli

 

ROALDO

Na verdade, o onipresente no livro/memorial de Voz do Paraná é o médico Roaldo Amundsen Koehler (in memoriam), graça a quem a “ressurreição” do jornal semanário ocorreu, por vezes enfrentando a vigilância da Polícia Federal, pois – segundo os arapongas de então – a publicação teria “ido além do esperado.” Ultra petita…

A mim coube a missão de receber os censores, alguns até simpáticos.

DEPOIMENTOS

Os depoimentos são, posso garantir, radiografias perfeitas de momentos históricos. Assim, Maí trabalha aspectos raros das negociações que eu tive com dr.Roaldo para garantir na casa a presença de profissionais “à gauche”, esquerdistas notórios que lá atuaram, como Teresa Urban.

Dante Mendonça, um dos olhares mais atentos sobre a história curitibana do dia a dia no século 20, relembra até de sua demissão que eu, infelizmente, tive de executar. Sem falar em sua “boutade” em direção a um senador biônico.

O PUBLISHER

O espírito inquieto do publisher Roaldo Koeher é o mais forte personagem do livro que contém fotos verdadeiramente raras, como a da entrevista que fizemos, ele e eu e Maí – com Jaime Lerner recém escolhido prefeito de Curitiba, ao lado de não menos histórico Jamil Snege.

NOTA DEZ

Antonelli merece nota dez pelo livro, uma preciosidade, com algumas fotos de meu arquivo pessoal e outras de Paulo Koehler.

Também acredito que esse deambular pela história da imprensa do Paraná iniciado com o capítulo Voz do Paraná, pode ser apenas o começo de um enorme projeto que o jornalista tem em mira.

Leia a coluna completa do Blog Aroldo Murá clicando aqui.

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