São constantes as referências nos meios de comunicação paranaenses ao grande número deputados estaduais que têm raízes familiares fincadas na política.
Agora essa realidade ganhou expressão num dos jornalões do país, o Estadão, que ontem abordou o mesmo assunto, reportagem assinada por Kátia Baran.
A matéria é correta, e, mais uma vez, trouxe à baila o nome do sociólogo (UFPR) Ricardo Oliveira, que tem insistido nessa abordagem das árvores genealógicas e de como elas são importantes na vida paranaense.
Na política, especialmente, sem excluir judiciário e executivo estaduais.
“OBRIGATÓRIOS”
Quando se aborda o assunto, dois nomes de deputados estaduais muito jovens – Requião Filho e Maria Victoria – “obrigatoriamente” aparecem.
O filho do senador nunca esconde que o nome do pai, Roberto Requião, influencia na sua eleição. Já Maria Victoria, filha de Cida Borghetti e o ex-ministro Ricardo Barros, se não nega apoio dos pais, deixa claro na entrevista ao Estadão não usar os sobrenomes nem de Cida, nem de Ricardo para pedir votos.
Maria Victoria e Requião Filho são partes de um extenso “baú” familiar que hoje reúne pelo menos 16 deputados estaduais na ALEP.
“VELHO PARANÁ” É PASSADO
Meu olhar tem outra profundidade, sem deixar de considerar que essa visão oligárquica de Ricardo Oliveira tem real procedência. Trata-se de análise acadêmica a partir – apenas – de um ângulo das Ciências Políticas e Sociais.
De minha parte, essa realidade das oligarquias políticas paranaenses comporta análise com outros desdobramentos. Reclama um olhar na linha do antropológico, vendo, por exemplo, a predominância de elementos com ancestralidade italiana como a mais forte novidade da política paranaense, desde que os condutores do Paraná deixaram de ser os do “velho Paraná”, nomes como os dos Camargo, Munhoz da Rocha, Oliveira Franco, Lacerda Braga…
A RUPTURA
A ruptura com o “velho Paraná” na verdade eu a identifico a partir das eleições de Paulo Pimentel, Jayme Canet Junior, Álvaro Dias (paulistas) e José Richa (carioca, filho de sírio). Não esquecer: o também carioca Haroldo Leon Perez, depois cassado, que do Paraná conhecia apenas fortemente o Norte do Estado antes de ser eleito indiretamente pela ALEP.
OS ITALIANOS
Também os ex-governadores Emílio Gomes e Parigot de Souza estão nas primícias da ruptura com as velhas raízes paranaenses, embora naturais do Paraná.
A olho nu, sem fazer pesquisas históricas, só recorrendo a nomes que conheci bem, ou dos quais tenho forte referências, é preciso dizer que hoje os “oriundi”, com ancestrais no país da bota, são expressivamente dominantes na política paranaense: a começar pela governadora Cida Borghetti, italiana geneticamente, pelos dois lados, que capitaneia a lista; Rafael Waldomiro Greca de Macedo, prefeito de Curitiba, tem origem no avô materno, um humilde calceteiro de profissão que ascendeu na vida. O prefeito quase não usa o nome final, Macedo, privilegia o Greca.
REQUIÃO TAMBÉM
O próprio Roberto Requião de Mello e Silva (de ancestralidade baiana, pelo lado paterno) tem sangue italiano, pois a mãe era neta de italianos radicados em Colombo; Osmar e Alvaro Dias são italianos pelo lado da mãe, dona Helena. Têm cidadania italiana também. Os Francischini estão na política para ficar: descendem de italianos do Vêneto; Ratinho Junior é Massa, pelo lado paterno, origem na Itália.
OS TRÊS VICES
Os três mais cotados candidatos a vice-governador na chapa de Ratinho Junior carregam nomes italianíssimos: Darci Piana e Edson Campagnolo (originários do Rio Grande do Sul) e Norberto Ortigara (com os pais gaúchos); Jorge Bernardi, catarinense, candidato ao governo pela Rede, também é oriundi.
Certo que os descendentes de italianos são expressivos também na Assembleia Legislativa, e na representação do Paraná na Câmara.
Já para o Senado, há um neto de sírio concorrendo – Beto Richa, e dois de ancestralidade alemã – Wilson Picler e Flávio Arns, enquanto que Christiane (Souza) Yared e o Oriovisto Guimarães são geneticamente brasileiros de quatro costados.
JUDEUS POLONESES
Voltarei ao assunto. A listagem desse ângulo étnico curioso é enorme.
Mas cabe registrar por último, mas não menos importante, que dois dos homens públicos que mais marcaram o Paraná no século 20, Jaime Lerner e Saul Raiz (os dois ex-prefeito de Curitiba e Lerner também governador) são filhos de judeus poloneses. E os poloneses são numérica e culturalmente muito expressivos aqui.
Roberto Requião, Cida Borghetti, Jorge Bernardi, Edson Campagnolo, Norberto Ortigara, Osmar Dias e Ratinho Junior: “italianos”.
Ney Braga, Adolfo de Oliveira Franco e Bento Munhoz da Rocha, Caetano Munhoz da Rocha: “velho Paraná”
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