Por Felipe Ribeiro
Uma enfermeira da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Pinheirinho, em Curitiba, foi agredida por uma jovem grávida na manhã desta quarta-feira (10). De acordo com informações do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc), a agressora acompanhava uma criança de cerca de quatro anos. No momento em que a servidora pediu para que o termômetro fosse colocado na criança, ainda no momento da triagem, a agressão aconteceu. Segundo a Prefeitura de Curitiba, a agressão física foi impedida pela Guarda Municipal.
Foto: Reprodução Google Street View“Infelizmente, mais uma vez, por questões de condição de trabalho, houve mais uma agressão contra uma servidora. E a nossa preocupação é que isso leve a algo mais grave, já tivemos tentativa de estupro e agressões em outras unidades e o prefeito até o momento não apresentou nenhuma solução”, disse a coordenadora-geral do Sismuc, Irene Rodrigues dos Santos.
A Secretaria Municipal da Saúde informou que a paciente tentou agredir a enfermeira, mas que a tentativa foi impedida pela Guarda Municipal. “A mulher chegou à unidade às 9h26, reclamando de dor abdominal surgida naquela manhã. Foi classificada pelo protocolo de Manchester, como paciente não urgente. Às 9h40 disse ter sido chamada no painel eletrônico para o consultório 00, que inexiste na unidade. Um funcionário da unidade verificou consultório por consultório se poderia ter havido algum erro e constatou que ela não havia sido chamada ainda. Prontamente, a enfermeira se dispôs a reavaliá-la, mas pediu que aguardasse enquanto terminava o atendimento que realizava naquela hora. Muito irritada, a jovem paciente passou a xingar a enfermeira e pressionou-a contra o balcão, momento que foi contida pela GM. Com as ofensas, foram proferidas ameaças. Mesmo assim, a paciente foi chamada às 10h01 para consulta médica, mas já havia saído da UPA. Na avaliação a paciente não informou estar grávida”, informou a administração municipal.
A enfermeira vítima da jovem foi à delegacia prestar queixa da ocorrência. No momento da ocorrência, nove médicos atendiam na unidade e não havia longo tempo de espera para atendimento, mesmo para pacientes não urgentes.
Campanha
Na última semana, a entidade divulgou um vídeo de protesto contra uma suposta declaração polêmica do prefeito Rafael Greca (PMN). Segundo a entidade, após o caso de agressão a uma funcionária por uma paciente no bairro Boa Vista, ele teria dito que colocaria “atendentes mais bonitas e simpáticas para a população não ficar tão irritada”. Revoltadas, as trabalhadoras se reuniram em um vídeo para passar a mensagem de que “ser mulher, servidora pública, vai muito além de ter um rostinho bonito”.
Segundo Irene, a violência será levada para a próxima reunião com o Conselho Municipal de Saúde. “A gestão precisa resolver, não dá para continuar assim. Estamos anunciando uma tragédia, não queremos que aconteça, mas nos preocupamos com o tom da violência”, concluiu a sindicalista.
Outro lado
Confira a nota da Prefeitura de Curitiba na íntegra:
A Secretaria Municipal da Saúde informa que, na manhã desta quarta-feira (10), uma jovem, de 25 anos, tentou agredir uma enfermeira da UPA Pinheirinho, além de ofendê-la e a ameaçar verbalmente. A tentativa de agressão foi impedida pela Guarda Municipal.
A mulher chegou à unidade às 9h26, reclamando de dor abdominal surgida naquela manhã. Foi classificada pelo protocolo de Manchester, como paciente não urgente. Às 9h40 disse ter sido chamada no painel eletrônico para o consultório 00, que inexiste na unidade. Um funcionário da unidade verificou consultório por consultório se poderia ter havido algum erro e constatou que ela não havia sido chamada ainda. Prontamente, a enfermeira se dispôs a reavaliá-la, mas pediu que aguardasse enquanto terminava o atendimento que realizava naquela hora. Muito irritada, a jovem paciente passou a xingar a enfermeira e pressionou-a contra o balcão, momento que foi contida pela GM. Com as ofensas, foram proferidas ameaças. Mesmo assim, a paciente foi chamada às 10h01 para consulta médica, mas já havia saído da UPA. Na avaliação, a paciente não informou estar grávida. A enfermeira vítima da jovem foi à delegacia prestar queixa da ocorrência.
No momento, 9 médicos atendiam na unidade e não havia longo tempo de espera para atendimento, mesmo para pacientes não urgentes.
O caso relatado mostra um lado pouco conhecido, mas preocupante do atendimento à população.
O Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria Municipal de Recursos Humanos atende as situações de agressões aos servidores. Oferecem aos funcionários da prefeitura acolhimento emocional, encaminhamento para tratamento quando indicado e acompanhamento para atuar na prevenção de stress pós-traumático. É importante também que o servidor(a) ao ser agredido verbal ou fisicamente compareça à perícia médica do município para registro da CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho. Vale lembrar ainda que o Artigo 331 do Código Penal (Decreto Lei 2848/40) estabelece que é crime desacatar funcionário público no exercício de sua função. As penas podem ser de seis meses a dois anos de detenção ou multa
Vale lembrar ainda que o Artigo 331 do Código Penal (Decreto Lei 2848/40) estabelece que é crime desacatar funcionário público no exercício de sua função. As penas podem ser de seis meses a dois anos de detenção ou multa.
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