Cláudio Loureiro: olhar ético essencial

Cláudio Loureiro: olhar ético essencial

Cláudio Loureiro, criador e presidente da curitibana Heads Propaganda – a segunda maior empresa de publicidade do Brasil de capital totalmente nacional -, publicitário conhecido e acatado por sua criatividade, tem toda autoridade para responder à pergunta que lhe faço:

“O que você acha da campanha da Associação dos Profissionais de Propaganda do Brasil (APP-Brasil) em favor do registro de ideias?”

Loureiro não é do tipo açodado em responder a uma pergunta como essa, que envolve múltiplos caminhos de análise.

Responde, horas depois, com a segurança esperada: é a favor da campanha da APP. No entanto, admite que o assunto é amplo, merece reflexão maior, por envolver questões éticas (como direito autoral).

Faz ressalva de alta tonalidade crítica, expondo, ao mesmo tempo, quanto sua visão profissional se coloca acima e antes do “to make Money”, ao nominar o espaço tecnológico do Vale do Silício para definir uma nova realidade:

– É quase uma lei no Vale do Silício o desprezo pelo autor da ideia: lá, e pode-se dizer, no mundo todo quando o assunto é esse, existe a máxima de que ganha dinheiro não quem cria, mas quem melhor cópia. É a selvageria desse mundo tecnológico/digital que não dá a devida importância ao autor da ideia, mas sim ao executor.

Ganha quem mais rápido executar, pois não existe um registro para um negócio”.

HORA DE REFLEXÃO

Eis a opinião de Cláudio Loureiro:

Como ficam os direitos do autor da ideia?

Como ficam os direitos do autor da ideia?

O assunto merece uma reflexão mais profunda.

Ele não deveria abordar apenas a questão do registro.

Ele deveria se estender para uma discussão ética, e essa não é simples em função dos vários vieses.

Alguns artistas alegam que copiar a arte dos outros pode aumentar a criatividade. Discutível, não?

DINHEIRO E MERCADO

No caso específico, falamos de dinheiro e mercado.

E quando arde no bolso, as discussões geralmente perdem a multilateralidade da mera opinião.

A Matéria a que se refere o Estadão é oportuna.

A ABP oportuniza aos seus associados uma plataforma que permite o registro de ideias criadas pelas agências.

É possível o registro da ideia, do conceito, das peças publicitárias ou de toda a campanha.

DEFININDO TEMPO

Em todos esses casos é necessária a definição de um período de tempo, com possibilidade de renovação.

Isso serve para a proteção da agência autora da ideia em vários casos.

Essa proteção é absolutamente necessária, pois além de ser a matéria prima de uma agência, a ideia em si, pode valer milhões.

Nas artes plásticas não é inusual o que chamam de “releitura” da obra.

RELEITURA OU CÓPIA?

No mercado publicitário, essa “releitura” nada mais é do que cópia que uma agencia faz de outra. Caso não exista esse registro, como provar que a ideia é original de outra agência?

Impossível, considerando que as ideias estão no ar e que até que seja registrada não pertencem a ninguém.

DESPREZO AO AUTOR

Maior é a dificuldade das startups ao redor do mundo.

É quase uma lei no Vale do Silício o desprezo pelo autor da ideia: lá, e pode-se dizer, no mundo todo quando o assunto é esse, existe a máxima de que ganha dinheiro não quem cria mas quem melhor copia. É a selvageria desse mundo tecnológico/digital que não dá a devida importância ao autor da ideia, mas sim ao executor.

Ganha quem mais rápido executar, pois não existe um registro para um negócio.

Faz acontecer e vence quem mais se destacar e ganhar o mercado mais rapidamente.

CASO DO SPOTIFY

Um exemplo: porque o spotify é mais comprado do que apple music se ambos oferecem exatamente o mesmo produto?

Porque um lançou antes e ganhou o mercado.

Portanto, a ABP presta um maravilhoso serviço às agencias que registram suas campanhas, pois outras empresas não poderão se utilizar de uma ideia já registrada.

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